Diferente. Essa é a definição mais simples e polida que se pode fazer sobre Marcelo Mirisola e sua literatura. O escritor paulista, aos 35 anos, é considerado pela crítica um dos melhores autores da sua geração mas é praticamente desconhecido pelo grande público.
E a culpa não é exatamente da falta de alfabetização, do preço dos livros ou da falta de costume do brasileiro em ler. Os livros de Mirisola - “Fátima Fez os Pés para Mostrar na Choperiaâ€, “O Herói Devolvido†e “O Azul do Filho Morto†(ele também está na antologia “Geração 90â€), não são exatamente exemplos de literatura fácil.
Recheados de personagens canalhas e problemáticos, palavrões, sexo e bizarrices (autobiográficas ou não) seus livros também não têm compromisso com a linearidade. “Minha temática é do umbigo para baixo, é urológica, genitalâ€, dispara.
Isso não quer dizer que o seu trabalho esteja distante do povo. Por não poupar ninguém, nenhuma instituição nacional, nenhuma classe social, nenhuma figura pública, Mirisola se aproxima de todos, seja para se colocar na posição de vítima ou de crítico ferrenho (ou tudo ao mesmo tempo).
Nada parece ser sério com Mirisola. Ao mesmo tempo, cada brincadeira esconde pelo menos uma verdade absoluta.
“Nunca fiz nada na vida mas sempre fui escritorâ€, despista o autor sobre como começou a escrever. “Eu não tenho qualificação para nada na vida a não ser para escrever. Escrever bemâ€, diz.
Seu último livro, o romance “O Azul do Filho Mortoâ€, publicado no começo do ano e tido como seu melhor trabalho até aqui, explora de forma impiedosa um lado obscuro da vida da classe média como se fosse uma confissão. “Depois do Graciliano Ramos não apareceu nada melhor do que o meu livro que eu me lembre. Pelo menos até a semana passadaâ€, diz, obviamente de brincadeira, o autor, que se considera uma pessoa popular.
“Sou odiado por muitos e amado por minha mãeâ€, declara.
Serviço
Palestra com Marcelo Mirisola, hoje, às 20h, na sala 19 do campus da Unesp.