Bairros

Lanchódromo é exemplo de frustração

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

O Lanchódromo, espaço criado pela Prefeitura Municipal de Bauru em 1991 para abrigar os ambulantes do setor de alimentação da cidade, é um exemplo de tentativa frustrada de organização da informalidade.

O local, que era para ser uma praça de alimentação popular, agonizou diante da má administração e do abandono do Poder Público e hoje está a um passo da sua destituição. Apenas 11 barracas continuam funcionando no local, de forma precária e com pouca clientela.

De acordo com Cleide Guedes de Campos, proprietária de um ponto no Lanchódromo, a estrutura está sendo má utilizada. “Nós estamos em uma área nobre do comércio, temos infra-estrutura, mas falta apoio do Poder Público”, salienta.

Ela está no local desde a sua inauguração, na primeira gestão do ex-prefeito Antonio Izzo Filho. Na época, a idéia era centralizar a atuação dos lancheiros naquele espaço. “Prometeram para nós que não ia ter barraca de lanches em outros pontos da cidade. Mas hoje vemos a concorrência espalhada em vários lugares”, reclama.

Cleide cita como exemplo os carrinhos de lanche da Praça da Paz, um local também considerado nobre, bem próximo ao Lanchódromo. “Apesar de lá não ter banheiro, água encanada e estrutura, as pessoas preferem ir para lá”, diz.

Isso gera um descontentamento nos barraqueiros do Lanchódromo, que sentem-se prejudicados por terem sido obrigados a ficar restritos em um único ponto.

Lalá Alves de Paula, também proprietária de uma barraca no Lanchódromo, destacou em entrevista ao Jornal da Cidade, no final do mês de maio, que a prefeitura deveria proibir barracas de lanches espalhadas pela cidade. “Nós fomos tirados da Praça do Líbano porque diziam que não podíamos ficar no espaço público. Agora deixam barracas na Praça da Paz. Não dá para entender”, questionou.

Playground

Para o vereador José Carlos de Souza Pereira, o Batata (PT), autor da lei que cria o Camelódromo - espaço destinado a abrigar os camelôs da cidade (leia mais na página 3) - o projeto do Lanchódromo era bom, mas faltou dar continuidade a ele. “O Lanchódromo tinha tudo para dar certo, mas ele não foi corretamente administrado”, salienta.

A arquiteta Maria Helena Rigitano, titular da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan), explica que a pasta tinha um projeto completo para instalar no Lanchódromo, mas que não foi possível colocá-lo em prática. “O prefeito da época determinou que todos os barraqueiros fossem removidos para lá de um dia para o outro e acabou não tendo a infra-estrutura prevista. Ficou para fazer depois, mas acabou não fazendo”, ressalta.

Entre outras coisas, o local deveria abrigar um playground, para que os pais pudessem levar os filhos para se divertir.

A falta de organização do local acabou criando uma ojeriza por parte dos consumidores. O pedreiro Luiz Antonio Bernardino, por exemplo, diz que o lugar não é apropriado para levar a família. “O clima não é bom”, destaca.

Maria Helena explica que muitas barracas foram removidas do Lanchódromo pois havia suspeita de que elas serviam de fachada para atividades ilícitas. “Sobraram apenas os escombros no local, que a prefeitura ainda não teve como retirar”, salienta.

Ressuscitar o empreendimento

A arquiteta Maria Helena Rigitano, titular da Seplan, acredita que ainda é possível atrair novos barraqueiros para o Lanchódromo. Recentemente, foi aberta uma licitação visando preencher as mais de 25 vagas do local. No entanto, somente 16 barraqueiros se inscreveram, sendo que muito deeles já estão estabelecidos no empreendimento. “Se apresentarem o atestado de antecedentes criminais que foi solicitado, é certeza de que eles vão continuar com a barraca no local”, enfatiza.

A idéia é abrir novas inscrições em breve para preencher as vagas que sobraram.

Maria Helena confessa que seria necessário fazer uma remodelação do local, a fim de que ele se tornasse um ponto atrativo para a população de Bauru. Mas diz que a prefeitura não tem recursos financeiros para isso. “A idéia é abrir espaço para que uma empresa, escolhida através de licitação, explore a publicidade no local e tenha exclusividade na venda de bebidas”, diz. Ela completa lembrando que essa empresa também ficaria encarregada de promover benfeitorias no Lanchódromo.

Para Cleide Campos, proprietária de uma barraca no local, a idéia de atrair novos barraqueiros é boa. "Acho que a prefeitura tem que mostrar autoridade, como foi feito com a gente, e exigir que os barraqueiros concentrem-se no Lanchódromo, para que acabe essa concorrência desleal..”

Ela salienta que, para os barraqueiros, o Lanchódromo tende a ser um bom negócio. “Nós não pagamos nenhuma taxa para ficar no local, somente as contas de água e luz”, frisa, lembrando que a localização é privilegiada e pode ser tornar um ponto turístico de Bauru.

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