Tudo é festa. A torcida vibra junto não só pela vitória do Brasil, mas também pela aposta que faz nos bolões. O importante é que a Seleção Brasileira ganhe, mas que também se acerte o resultado e ganhe uma “graninha†extra.
Essa é a expectativa de quem faz aposta no bolão. Mas é claro que tudo é de brincadeira. Na verdade, o que vale é a descontração e a vibração que as apostas geram.
É Copa do Mundo e, conseqüentemente, hora de checar se o palpite dá certo. Se não tem bolão, as pessoas cobram porque querem arriscar, participar, brincar.
Numa loja do Calçadão da Batista de Carvalho, o bolão é tradicional. “A gente sempre fazâ€, diz o proprietário Paulo Marcelo Carvalho. Ele conta que, além dos funcionários, vários clientes participam do jogo e cobram se acaso não se faz. “Este ano, como o Brasil foi para a Copa sem muito crédito, decidimos esperar até as quartas de final e isso fez com que as pessoas chegassem e perguntassem se não iria ter bolãoâ€, conta.
No último jogo do Brasil antes da final de hoje, contra a Turquia, o bolão da loja de Carvalho rendeu R$ 30,00. O bolão da partida da final, até a manhã de ontem já havia passado dos R$ 50,00.
A vendedora Arlete De Arruda de uma outra loja também do Calçadão da Batista de Carvalho, sempre organiza os bolões para a Copa. “Eu gosto. Acho que isso é divertimento e faz parte da Copa do Mundo. As pessoas torcem para ganharâ€, afirma. Ela cobra R$1,00 por aposta e se diverte oferecendo o bolão também para os clientes da loja. Arlete faz outros jogos de azar como a loteria e a quina. O palpite que ela arriscou na manhã de ontem foi de 1x1 entre Brasil e Alemanha. “Nunca ganhei no bolão, mas tenho prazer em organizar as apostasâ€, diz.
O segurança José Renato Soares, 21 anos, e a estudante Liliane Cristina Alves, 17 anos, aderiram ao jogo. Soares diz que sempre participa dos bolões. Nesta Copa, ele ainda não ganhou nenhum e o palpite dele para o jogo de hoje era de 2 x 1 ou 1 x 0.
Liliane não concordava com Soares. O palpite da estudante, que participou de um bolão na sua escola, era de 1 x 1 e a vitória do Brasil seria nos pênaltis. “O bolão que eu fiz foi valendo um chocolate. Acho que esse tipo de jogo acaba unindo mais as pessoas. Se eu ganhar, vou ficar feliz por acertar o palpiteâ€, diz.
Aumento nas vendas
A Copa do Mundo também rende lucros para os comerciantes que abusam da criatividade e colocam verde e amarelo em todos os lugares onde é possível. Nas lojas de R$1,99, a festa é geral. Desde produtos comestíveis até as coisas mais comuns como as bandeiras são vendidas em preços baixos e conquistam os consumidores.
De acordo com o comerciante Paulo Marcelo Carvalho, o líder é a camisa amarela. “O quanto tiver, vende. É a mais procurada. Acredito que até o final do dia de hoje (ontem), vamos acabar com o estoqueâ€, diz. Ele lembra que o comércio ilegal de camelôs, sem licença para trabalho, atrapalha um pouco. “Isso é uma injustiça com o comércio local. Vem até gente de fora explorar o comércio daqui. A maioria não tem alvará para o trabalho. A vantagem de comprar um produto de qualidade numa loja como a nossa, é a garantia do produto para o consumidorâ€, explica.
Orgulho de ser brasileiro
Após ter ganho um concurso nacional promovido pela operadora de TV à cabo NET, o bauruense Acácio Monteiro Teixeira Filho, 51 anos, foi à Coréia e vibrou com o Brasil nos jogos contra a Turquia e a China. Ele chegou de volta a Bauru no último dia 20 de junho e diz que sofreu com a comida coreana, mas torceu muito e se encantou com o carinho que os estrangeiros têm pelo povo brasileiro.
“A camisa amarela abre portas lá fora!â€, exclama feliz. Cacinho como é conhecido o bauruense corintiano que é fanático por futebol conta que o mais emocionante de tudo é ouvir o hino nacional e poder cantar com orgulho. â€œÉ uma coisa incrível, toda a nacionalidade que, muitas vezes, não temos aqui, estando fora, aflora. É o orgulho de ser brasileiro. Cantar o hino nacional, dentro de um estádio enorme, na Copa do Mundo, emociona demaisâ€, conta com lágrimas nos olhos e completa: “Me emociono novamente só de lembrarâ€.
Cacinho levou 15 camisas da Seleção Brasileira para trocar por outras. Ele diz que todos querem a camisa amarela e a facilidade em trocar por de outras seleções é muito grande. “Eu trouxe várias camisas, presenteei alguns amigos e o meu filho ficou com algumas tambémâ€, conta. Entre as camisas que o bauruense trouxe estão França, Eslovênia, Coréia, Costa Rica, Turquia, China e Polônia.
Cacinho esteve com Pelé e com o ex-técnico da Seleção Brasileira Carlos Alberto Parreira. “O Pelé nós encontramos no avião, eu disse para ele que era de Bauru, falamos um pouco. Também conversei com o Parreira que estava no mesmo hotel em que fiqueiâ€, conta entusiasmado.
Além das duas celebridades, Cacinho tirou fotos com alguns jogadores de outras equipes. A seleção da França estava no mesmo hotel que ele e o bauruense aproveitou para conviver um pouco com os jogadores franceses.
A maior dificuldade, de acordo com Cacinho, foi na comunicação. “Não se entende nada, tentamos falar um pouco do inglês, mas mesmo assim é difícil. As mímicas ajudam bastanteâ€, afirma.
O bauruense, que viajou com outros dez companheiros também premiados pela NET, diz que essa viagem foi a mais importante de sua vida e, animado, fala sobre o interesse de ir à Alemanha daqui quatro anos. “Vamos ver. Se eu puder, quero ir. Até lá, vou participando de outros concursosâ€, afirma.