Parafraseando o notável Max Nunes , (de quem sou admirador incondicional) , de um pequeno texto do livro “ Uma pulga na camisola†– selecionado e organizado por Ruy Castro - tento fazer um resumo da origem da criminalidade , fator preponderante de toda esta violência que assola o Brasil e o mundo nos dias atuais. Tudo começou na escola , quando , ainda criança , já “matava†aulas. Quando estava em classe , quase “matava†a professora de susto com suas traquinagens. Ainda na infância , adorava “matar†passarinhos. No campo de terra, lá da favela, jogava uma pelada como ele só! Era um “fenômenoâ€! Sua jogada principal era “matar†a bola no peito e estufar a rede esburacada, amarrada aos frágeis bambus que imitavam as traves e o travessão, dos grandes estádios. Foi crescendo, malandrinho se tornando e, numa mesa de sinuca, “matava†todas as bolas. No botequim da esquina parava sempre para “matar o bichoâ€. Quase sem nada para fazer, “matava†o tempo, fazendo palavras cruzadas. Ia ver a namorada, para “matar†a saudade. Não gostava nem um pouco de café, mas o bebia para “matar†o sono. No dia-a-dia da favela, era um caçador: “matava†dois coelhos de uma só cajadada! E, quando “matava†a cobra, mostrava o pau! (Indecente!) Para ajudar no combate à dengue, “matou†milhares de mosquitos. Foi “matandoâ€, “matando†sempre. Quando podia, comia um bom prato de arroz com feijão que era para “matar†a fome. Sua vida era péssima, vivia “matando cachorro a gritoâ€! Deu no que deu. “Matou†seu concorrente, numa briga de traficantes, “matou†um policial num assalto, “matouâ€, “matouâ€, “matouâ€....
Foi “morto†por uma “bala perdida†e seu corpo foi jogado, durante a noite, numa vala aberta para algum enterro, no cemitério local. Pela manhã, o coveiro ao deparar-se com seu cadáver, levou um tremendo susto, sofreu um infarto e morreu. Vejam o que é o destino de um “matadorâ€: continuou “matando†até depois de morto! (Fernando Lucilha Júnior –RG 5023414)