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A racionalidade de volta?


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A semana terminou com a racionalidade voltando, pouco a pouco, às negociações nos principais mercados financeiros no Brasil. Depois de um período em que o pânico criado pela possibilidade de eleição de Luiz Inácio Lula da Silva gerou uma dinâmica irracional, estamos voltando a uma postura mais equilibrada nas transações financeiras. Pesa ainda sobre os preços dos principais ativos brasileiros a insegurança em relação a um possível governo do PT, mas as avaliações estão mais equilibradas.

Muito contribuiu para essa mudança a atitude firme da direção do Banco Central, nos últimos dias, e a melhora importante da posição eleitoral do candidato de FHC. Os juros negociados nos mercados futuros, depois de atingirem níveis incríveis, voltaram a uma posição mais realista. A expectativa de que o BC seria obrigado a promover uma rodada agressiva de aumento dos juros para defender o Real foi substituída pela sensação de que a taxa Selic vai continuar estável, pelo menos até que os resultados das eleições sejam conhecidos. Depois disso, como disse o presidente do BC no programa Roda Viva da semana passada, tudo vai depender do bom-senso do candidato eleito.

Além da queda expressiva dos juros nos mercados futuros, a cotação do dólar encontrou uma resistência importante na faixa dos R$ 2,82. O Banco Central tem alimentado o mercado com parte de suas reservas, para compensar os resgates em dólares de parte importante dos compromissos externos, que estão vencendo. Mesmo nos mercados em que são negociados os títulos brasileiros no Exterior, apresentaram uma recuperação importante nos últimos dias.

Ninguém pode garantir que essa tranqüilidade continue por mais tempo. Mas é o primeiro fim de semana em que os operadores terão uma certa tranqüilidade. Sorte deles, pois poderão assistir o final da Copa do Mundo com a cabeça mais fresca. A divulgação de mais uma pesquisa do Ibope sobre a situação atual da corrida presidencial, nesse fim de semana, pode garantir a continuidade dessa recuperação, na próxima semana. Outro fator que pode acelerar essa volta da tranqüilidade é o agravamento da crise petista em Santo André. Quem está acompanhando de perto esses acontecimentos garante que o PT vai ter problemas com o andamento das investigações do assassinato do ex-prefeito Celso Daniel.

Apesar da volatilidade da situação atual em função das eleições presidenciais, era importante que o bom-senso voltasse a imperar nos mercados. Crises financeiras podem ter desdobramentos terríveis exatamente pela perda da funcionalidade do sistema financeiro. No meio de um pânico dos investidores, e isso quase ocorreu no Brasil nos últimos dias, tudo pode acontecer. Os mercados ficam ilíquidos, os preços deixam de refletir os fundamentos da economia e a participação dos especuladores de plantão determina sua evolução.

Em função da crise que estamos vivendo, reforço meu conselho para que se evite decisões precipitadas e que os investidores mantenham seus recursos em aplicações financeiras conservadoras, principalmente no chamado Over Night. (O autor, Luiz Carlos Mendonça de Barros, é economista e publicador do site e da revista Primeira Leitura. Ex-ministro das Telecomunicações e ex-presidente do BNDES. - Site: www.primeiraleitura.com.br)

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