Cafelândia - A população da pequena cidade foi surpreendida ontem de manhã com a má notícia sobre o fechamento parcial do único Pronto-Socorro local, que está reduzindo o atendimento em cerca de 80%. A diretoria da Santa Casa, que mantém convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS) e é quem administra o PS, alega escassez de recursos e acusa a Prefeitura Municipal de estar descumprindo um contrato de cooperação financeira.
O prefeito do município, Luís Otávio Carvalho (PSL), por sua vez, garante que a Prefeitura não vem descumprindo o contrato que foi firmado em 1 de março último com a Santa Casa e acusa a entidade de mau gerenciamento.
Na opinião de Carvalho, a administração da entidade está “há muito tempo†sob o mesmo comando, seriam nas contas do prefeito, cerca de 30 anos, e isso poderia estar gerando “um certo comodismo, o que na avaliação de Carvalho não é bom para a cidade, principalmente para aquelas pessoas que necessitam de atendimento público na área da saúdeâ€. Ainda segundo o prefeito, rusgas políticas estariam interferindo no bom andamento das questões.
O administrador da Santa Casa de Cafelândia, Éder Macário Jerônimo, disse ontem à tarde que uma reunião estava agendada para acontecer na noite de ontem entre membros da mesa diretora do hospital com a presença confirmada do secretário municipal de Saúde, Rivaldo José da Silva. A expectativa, segundo Jerônimo era a de se chegar a uma solução para a questão.
Hoje, de acordo com informações da Santa Casa, uma média de 50 pessoas são atendidas diariamente no PS. Com a redução drástica no atendimento essas pessoas serão ‘empurradas’ para o Centro de Saúde da cidade que é mantido pela Prefeitura.
Uma das preocupações das autoridades da cidade e também da população, ontem, primeiro dia do problema, era quanto ao período noturno quando o Centro de Saúde não abre. O temor era que surgissem casos de procura por atendimento médico e não houvesse profissionais disponíveis.
O administrador da Santa Casa, por sua vez, afirmou ontem que enquanto não for encontrada uma solução, a entidade estará garantindo o atendimento emergencial no PS. Segundo Jerônimo, será dada preferência aos casos de urgência e aqueles usuários que tiverem condições de esperar, serão orientados a procurar o Centro de Saúde.
Contrato
O principal objeto de discordância entre a Santa Casa e a Prefeitura é o contrato que prevê repasse mensal, para custos operacionais, por parte da administração municipal. Segundo Jerônimo, o repasse mensal que o prefeito deveria fazer é da ordem de R$ 15 mil e até ontem só R$ 45 mil haviam sido repassados ao longo dos últimos seis meses, fato que teria motivado a rescisão do contrato no último dia 21. Pelas contas de Jerônimo o PS deveria ter recebido R$ 90 mil referentes aos primeiros 180 dias do ano.
Já pelas contas do prefeito Luís Otávio, a administração já repassou para a Santa Casa, neste ano, o equivalente a R$144 mil. “No ano passado foram R$ 314 milâ€, afirma Carvalho. O dinheiro que sai da Prefeitura, explica o prefeito, é usado para serviços prestados com despesas no transporte de ambulância, pagamento dos médicos plantonistas, pagamento de médicos nas especialidades de oftalmologia e radiologia e ainda dois funcionários cedidos pela administração.
Sem incidentes
Apesar da redução no atendimento de urgência, nenhum caso grave deixou de ser atendido ontem, segundo autoridades da saúde. A Polícia Militar da cidade informou que apesar do susto, nenhuma reclamação por parte da população havia sido registrada até o final da tarde. “Esperamos que durante a noite não surjam problemas†disse o policial Padovan.