Com 75 dias de operação da parceria firmada entre o Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio) e a Caixa Econômica Federal (CEF), 71 micro e pequenos empresários do setor tiveram acesso a financiamentos para capital de giro em Bauru. No montante total, foram liberados R$ 1.194.770,00 a essas empresas. Segundo o presidente do SinComércio, Walace Garroux Sampaio, trata-se de um resultado inédito em relação aos programas de crédito direcionados a micro e pequena empresa disponíveis no mercado.
De acordo com ele, ao todo o sindicato foi procurado por 171 empresários de Bauru, mas muitos não se enquadravam na linha de crédito por não se tratar de micro ou pequena empresa. Cinco casos foram recusados devido a restrições cadastrais e outros 12 estariam sendo analisados, segundo Sampaio. Ele destaca que a principal conquista é o fato das operações de crédito terem atingido o objetivo e num curto espaço de tempo.
“Dificilmente os programas oficiais de crédito chegam às micro e pequenas empresas. Geralmente, cria-se uma expectativa muito grande em torno desses financiamentos, mas os pequenos não têm acesso. A burocracia e as exigências de garantias financeiras são muito grandes, o que acaba inviabilizando a operação. Portanto, o fundamental para nós é ter conseguido criar uma parceria que realmente privilegia esse segmento dentro do comércioâ€, avalia Sampaio.
“Ceticismoâ€
Segundo ele, a expectativa do sindicato era de que a quantidade de procura pelo programa seria maior do que a registrada. Contudo, durante entrevistas realizadas com os empresários interessados foi possível perceber que a categoria se mostrou desacreditada nesse tipo de programa.
“Por tantas dificuldades já enfrentadas por eles em tentativas anteriores frustradas de obter crédito, os micro e pequenos empresários ficaram muito céticos. Em função disso, provavelmente muitos nem chegaram a nos procurar porque acham que esse programa seria igual aos outros e não iria funcionar. Agora eles têm a prova de que essa iniciativa é realmente diferente e eu espero que muitos outros empresários do comércio nos procuremâ€, diz Sampaio.
De acordo com ele, todo o atendimento aos interessados é feito no próprio SinComércio e os comerciantes vão até a Caixa somente para assinar o contrato. Para o presidente do sindicato, trata-se de um diferencial muito importante à categoria porque os empresários são atendidos por pessoas que pertencem ao ramo. Outra inovação do programa diz respeito a dívidas de tributos federais que o interessado possua, o que barra o acesso ao crédito nos programas convencionais existentes no mercado.
“Quando firmamos a parceria com a Caixa, nós apontamos que isso era um contra-senso. Se o programa é governamental (tem dinheiro do orçamento do governo), o normal seria liberar o financiamento mediante a quitação dos tributos, e não fechar o acesso. Então, conseguimos acordar que, em casos assim, nós analisamos os débitos, informamos à Caixa e, na liberação do crédito, enviamos as guias comprovando o recolhimento dessas dívidas e o banco libera a diferença ao empresário. O empréstimo também não exige garantias reais, como bens pertencentes ao comercianteâ€, relata Sampaio.
Crédito liberado
As microempresárias e sócias Lucila Rodrigues de Souza e Tarcila Rodrigues Bórsio de Souza conseguiram concretizar um financiamento de R$ 7 mil através da parceria entre a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio) para capital de giro. Com isso, puderam realizar diversos investimentos na ampliação do lavacar dirigido por elas. Lucila conta que a obtenção do crédito foi fácil e rápida.
“Já tínhamos tentado empréstimo outras vezes e nunca dava certo porque a burocracia e as exigências eram muito grandes. Nesse programa voltado para o comércio, fomos muito bem atendidas, não enfrentamos fila no banco e tudo foi feito através do sindicato. Em uma semana, toda a papelada necessária para a liberação do crédito estava pronta. Foi tudo muito rápidoâ€, conta Lucila.
O pequeno empresário Luiz Henrique Coimbra, do ramo de materiais para construção, conseguiu financiamento de R$ 60 mil para pagar em 24 meses. Ele conta que o dinheiro foi liberado depois de 15 dias que os papéis foram entregues à Caixa.
“Eu fiquei surpreso com a rapidez, porque não acreditava que daria certo. Além de tudo ter sido feito de maneira simples e ágil, quando o gerente da Caixa me ligou disse que havia disponibilizado R$ 90 mil para o meu empréstimo. Eu disse que não precisava de tudo isso e toda a operação foi realizada sem burocraciaâ€, relata Coimbra.