Cerca de 140 dos 185 presos da Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, recusaram o almoço e o jantar ontem. Eles não aceitam a marmitex fornecida na cadeia desde anteontem, dia que ficaram amotinados no pátio por sete horas ao invés de retornar para as celas após o banho de sol.
O delegado Roberval Fabbro, diretor da cadeia, afirma que apesar de recusar a marmitex, os detentos estão alimentando-se de bolachas e outras comidas levadas por familiares, na última visita. “Eles têm boa quantidade de comida nas celas. Não estão totalmente sem comerâ€, afirma.
Hoje, como já estava previsto antes das tentativas de fuga da última quinta-feira e domingo e do motim ocorrido anteontem, o deputado estadual Renato Simões (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, virá a Bauru visitar a cadeia .
Os detentos da cela de segurança, os presos por não-pagamento de pensão alimentícia, os que trabalham na faxina e os adolescentes recolhidos na cela especial, que não participaram do motim, continuam alimentando-se normalmente, de acordo com Fabbro.
Desde o início do motim de anteontem, os presos pediam a presença do juiz da Vara das Execuções Penais, Evandro Kato. O juiz foi à cadeia à noite, quando os detentos já haviam voltado para as celas.
Ao juiz, os detentos pediram apenas agilidade no andamento processual de alguns deles e a transferência de condenados para presídios. Apesar de duas tentativas de fuga e um motim em cinco dias, o clima ontem no Cadeião era tranqüilo, segundo Fabbro.
Porém, em represália, a direção da cadeia suspendeu o banho de sol dos envolvidos nas ações. Também estão suspensas as visitas, amanhã, aos detentos das celas 7, 8 e 10, que tentaram fugir. As marmitex rejeitadas pelos presos estão sendo doadas a entidades assistenciais.
Ontem, a cadeia, que deveria abrigar somente presos provisórios (à espera de sentença) estava com 15 condenados, que já poderiam ter sido transferidos para presídios, de acordo com Fabbro. O delegado conta que está difícil obter vagas no sistema prisional para transferir os presos sentenciados.
O Cadeião foi projetado para 70 presos e se todos os condenados fossem transferidos a superlotação seria amenizada. No mês passado, o prédio chegou a abrigar 203 detentos, batendo recorde. Para o delegado seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, o problema de superlotação da cadeia será resolvido apenas com a inauguração do Centro de Detenção Provisória (CDP).
O CDP, que terá 768 vagas, está sendo construído ao lado do Instituto Penal Agrícola (IPA). A previsão do governo é entregar a obra, que custará R$ 8,2 milhões, no final do ano. Os presos provisórios de Bauru e toda a região serão transferidos para o CDP e o Cadeião poderá ser desativado.
Direitos humanos
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, deputado Renato Simões (PT), visitará a Cadeia Pública de Bauru hoje, às 9h. O deputado deve verificar as condições da cadeia de Bauru.
O convite a Simões partiu da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, no final do mês passado, quando o Cadeião bateu recorde de superlotação, abrigando 203 detentos. O vereador José Eduardo Fernandes Ávila (PPB), membro da comissão de Direitos Humanos da Câmara, diz que vai pedir ao deputado a interdição da cadeia.
Para Ávila, os detentos estão vivendo em condições desumanas em função da superlotação e da precariedade do prédio, construído na década de 50. “A cadeia e o presídio têm a função de recuperar o homem que cometeu um crime e isso não está ocorrendo em Bauruâ€, afirma.
O Cadeião deveria ser fechado de imediato, mesmo antes da entrega do CDP, na opinião do vereador. “Não é problema nosso essa questão de vagas para a transferência dos presos. Isso é assunto da Secretaria de Segurança Públicaâ€, afirma.
Além dos integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, representantes da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também devem acompanhar a visita do deputado Renato Simões à cadeia hoje, de acordo com Ávila.