Polícia

Presos continuam em greve de fome

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 140 dos 185 presos da Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, recusaram o almoço e o jantar ontem. Eles não aceitam a marmitex fornecida na cadeia desde anteontem, dia que ficaram amotinados no pátio por sete horas ao invés de retornar para as celas após o banho de sol.

O delegado Roberval Fabbro, diretor da cadeia, afirma que apesar de recusar a marmitex, os detentos estão alimentando-se de bolachas e outras comidas levadas por familiares, na última visita. “Eles têm boa quantidade de comida nas celas. Não estão totalmente sem comer”, afirma.

Hoje, como já estava previsto antes das tentativas de fuga da última quinta-feira e domingo e do motim ocorrido anteontem, o deputado estadual Renato Simões (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, virá a Bauru visitar a cadeia .

Os detentos da cela de segurança, os presos por não-pagamento de pensão alimentícia, os que trabalham na faxina e os adolescentes recolhidos na cela especial, que não participaram do motim, continuam alimentando-se normalmente, de acordo com Fabbro.

Desde o início do motim de anteontem, os presos pediam a presença do juiz da Vara das Execuções Penais, Evandro Kato. O juiz foi à cadeia à noite, quando os detentos já haviam voltado para as celas.

Ao juiz, os detentos pediram apenas agilidade no andamento processual de alguns deles e a transferência de condenados para presídios. Apesar de duas tentativas de fuga e um motim em cinco dias, o clima ontem no Cadeião era tranqüilo, segundo Fabbro.

Porém, em represália, a direção da cadeia suspendeu o banho de sol dos envolvidos nas ações. Também estão suspensas as visitas, amanhã, aos detentos das celas 7, 8 e 10, que tentaram fugir. As marmitex rejeitadas pelos presos estão sendo doadas a entidades assistenciais.

Ontem, a cadeia, que deveria abrigar somente presos provisórios (à espera de sentença) estava com 15 condenados, que já poderiam ter sido transferidos para presídios, de acordo com Fabbro. O delegado conta que está difícil obter vagas no sistema prisional para transferir os presos sentenciados.

O Cadeião foi projetado para 70 presos e se todos os condenados fossem transferidos a superlotação seria amenizada. No mês passado, o prédio chegou a abrigar 203 detentos, batendo recorde. Para o delegado seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, o problema de superlotação da cadeia será resolvido apenas com a inauguração do Centro de Detenção Provisória (CDP).

O CDP, que terá 768 vagas, está sendo construído ao lado do Instituto Penal Agrícola (IPA). A previsão do governo é entregar a obra, que custará R$ 8,2 milhões, no final do ano. Os presos provisórios de Bauru e toda a região serão transferidos para o CDP e o Cadeião poderá ser desativado.

Direitos humanos

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, deputado Renato Simões (PT), visitará a Cadeia Pública de Bauru hoje, às 9h. O deputado deve verificar as condições da cadeia de Bauru.

O convite a Simões partiu da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, no final do mês passado, quando o Cadeião bateu recorde de superlotação, abrigando 203 detentos. O vereador José Eduardo Fernandes Ávila (PPB), membro da comissão de Direitos Humanos da Câmara, diz que vai pedir ao deputado a interdição da cadeia.

Para Ávila, os detentos estão vivendo em condições desumanas em função da superlotação e da precariedade do prédio, construído na década de 50. “A cadeia e o presídio têm a função de recuperar o homem que cometeu um crime e isso não está ocorrendo em Bauru”, afirma.

O Cadeião deveria ser fechado de imediato, mesmo antes da entrega do CDP, na opinião do vereador. “Não é problema nosso essa questão de vagas para a transferência dos presos. Isso é assunto da Secretaria de Segurança Pública”, afirma.

Além dos integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, representantes da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também devem acompanhar a visita do deputado Renato Simões à cadeia hoje, de acordo com Ávila.

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