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Basquete - Vanderlei não é mais atleta do Bauru

David Cintra
| Tempo de leitura: 5 min

Depois de perder o patrocínio da Tilibra e da Copimax, o Bauru Basquete começa a lutar para manter a base da equipe campeã brasileira de 2002. Os contratos dos principais jogadores da equipe já venceram no final de junho, bem como o do treinador Jorge Guerra, o Guerrinha.

Em compasso de espera, os atletas começam a receber propostas de outras equipes. O primeiro a deixar o clube bauruense é Vanderlei, premiado como melhor jogador do Campeonato Nacional. O ala vai para o Ajax, de Anápolis-GO, para ganhar o dobro do que recebia em Bauru.

“Adoro Bauru, tenho vários amigos aí, mas a proposta do Ajax foi irrecusável. Tenho 29 anos e não posso perder esta oprtunidade. Infelizmente, o lado profissional pesou mais que o pessoal”, declara Vanderlei, que está em Uberlândia treinando com a Seleção Brasileira para o Mundial.

Para o jogador, mesmo com o patrocínio mantido, seria difícil para o time de Bauru cobrir a oferta dos goianos. “Mas pelo menos teríamos sentado para conversar. Mas do jeito que as coisas estão aí em Bauru não dava para esperar”, conta o ala da seleção.

Vanderlei disse que foi difícil se conformar com a situação do Bauru Basquete. â€œÉ triste ver um time que chegou onde chegou perder o patrocinador. Justamente no momento em que estávamos mais exposto na mídia. É difícil de entender, fiquei abatido, mas agora já estou melhor”, revela.

Segundo o jogador, os demais convocados para a seleção comentam o assunto e também não se conformam. “Ninguém imagina que vai acontecer uma coisa dessas com um time campeão”, afirma.

A nova equipe de Vanderlei está fazendo grandes investimentos e, além do ala, contratou o pivô Janjão e o armador Ratto, ambos do Flamengo, além do também ala Rogério, do Vasco.

Novo patrocinador

Enquanto isso, a diretoria do Bauru Basquete continua a procura de empresas dispostas a patrocinar um time campeão brasileiro e com vaga assegurada no Sul-Americano da categoria. Segundo o presidente do clube, Caio Coube, foram feitos contatos com duas grandes empresas - Fiat e Telefonica -, porém, até o momento não há nada de concreto.

“Apresentamos nossos projetos para um patrocinador ‘master’, mas a resposta demora algum tempo, enquanto isso, pretendemos conversar com empresários de Bauru e região para tentar vender cotas menores de patrocínio. Seriam cotas de três, dois e mil reais”, revela o dirigente.

Este modelo de patrocínio já existe em Uberlândia. O time mineiro tem um patrocinador “master” - a Universidade do Triângulo Mineiro (Unit) -, mas conta com o apoio do “Clube dos 30”, um pool de empresários que colaboram com o time, por sinal um dos mais fortes do País.

“Estamos preparando um evento para o próximo dia 18 de julho, muito provavelmente numa casa noturna de Bauru, para conversar com empresários locais. Pretendemos envolver pessoas que tenham algum tipo de relacionamento com o Bauru Basquete para que se juntem a nós numa nova etapa da história da equipe”, revela Coube.

Sobre a saída de Vanderlei, Caio apenas confirmou o que o atleta disse. “Talvez nem com o patrocínio antigo conseguiríamos cobrir a oferta do Ajax. Tivemos uma reunião com o atleta na semana passada e ele nos adiantou que seria impossível deixar de aceitar”, conta o dirigente.

Caio disse ainda que a situação da equipe não é boa, já que, sem contratos, os jogadores podem receber propostas de outros clubes e nada poderá ser feito para mantê-los no Bauru Basquete.

“O único jogador que tem contrato é o Leandrinho. Os demais já venceram todos, por enquanto, só o Vanderlei saiu, mas se a situação não for resolvida rapidamente, certamente perderemos mais atletas”, lamenta o empresário.

Caio afirma que, caso o chamado ‘patrocinador master’ não apareça, a equipe vai disputar o Campeonato Paulista com um elenco formado por juvenis e recém-promovidos das categorias de base. Seria um time mais ou menos assim: Leandrinho e mais quatro.

Guerrinha

O título de campeão brasileiro conquistado este ano pelo Bauru Basquete não aconteceu por acaso. A equipe tem uma base formada há pelo menos quatro anos. Certamente o pilar desta base é o técnico Jorge Guerra, o Guerrinha. Nos 285 jogos que comandou a equipe, o treinador venceu 200 vezes. Um índice de 70% de aproveitamento.

A importância do trabalho do treinador é reconhecida pela diretoria do Bauru Basquete. “Renovar com o Guerrinha é nossa prioridade. Tão logo se resolva esta situação do patrocinador vamos acertar com ele. Confiamos no trabalho e na filosofia do Guerrinha”, afirma Caio Coube.

Por sua vez, o treinador também mostra-se disposto a continuar em Bauru. “A vontade de ficar é muito grande. Consegui, dentro e fora de quadra, uma afinidade muito forte com a diretoria, a torcida e a cidade”, declara Guerrinha. “Foram quatro anos de trabalho. O título brasileiro foi resultado disso. Não foi por acaso”, completa.

No entanto, o técnicosabe que não depende apenas dele. “Minha prioridade é ficar, mas a diretoria tem que resolver esta situação o mais rápido possível”, afirma. Sobre propostas de outros clubes, Guerrinha revela que foi procurado três semanas antes do término do campeonato.

“Por questões éticas eu não quis nem conversar. Também porque eu estava focado na disputa dos playoffs. Nossa vontade de ganhar o título era muito grande. Internamente todos nós sabíamos do fim do patrocínio desde janeiro, por isso nós queríamos muito este tïtulo, justamente para facilitar as negociações neste momento”, conta o treinador.

Por outro lado, o técnico afirma que no momento sua única opção é o Bauru Basquete, já que não voltou a ser procurado por ningém. Para ficar no Bauru, Guerrinha revela que está disposto até mesmo em procurar um patrocínio pessoal.

“Isto pode aliviar a equipe. Caso eu consiga, a diretoria pode pensar em manter a base, que é muito importante. Vou sair esta semana e buscar esta alternativa. Em Franca, eu bati recordes como jogador e gostaria de bater outros recordes como treinador também, mas em Bauru”, declara Guerra.

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