Regional

Estado desapropriará área de gasoduto

Por Carlos Corrêa | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 3 min

Pederneiras - O Governo de São Paulo vai desapropriar uma área entre os municípios de Boa Esperança do Sul e Pederneiras destinada à construção de um gasoduto para abastecer a futura termoelétrica da Duque Energy. Decreto declarando a área de utilidade pública foi assinado no último dia 2 pelo governador Geraldo Alckmin e publicado quinta-feira pelo Diário Oficial do Estado.

A termoelétrica de Pederneiras é uma das 23 que integram o Programa Prioritário de Termoelétricas (PPT), do governo federal. A licença ambiental provisória para início da construção da central foi dada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente no início do ano. A termoelétrica de Pederneiras vai gerar 500 MW de energia elétrica e deve entrar em operação no início de 2004.

A área a ser desapropriada pelo governo estadual vai ser doada à Gas Brasiliano, concessionária da distribuição de gás natural importado da Bolívia a 375 cidades da região Noroeste de São Paulo, que inclui as regiões de Araraquara e São Carlos.

A Gas Brasiliano vai fornecer dois milhões de metros cúbicos de gás natural à termoelétrica da Duque, segundo o diretor de suprimentos da empresa, Ronaldo Kholmann. O ramal para a termoelétrica sairá do city-gate de Boa Esperança do Sul, passando por Bocaína e Jaú, numa faixa de 10 metros de largura. O city-gate de Boa Esperança também vai abastecer Araraquara, Matão e Ribeirão Preto.

A Gas Brasiliano, entretanto, ainda não fechou acordo com a Duque Energy para fornecimento do insumo. “Ainda não sabemos se a companhia vai ou não iniciar as obras da usina”, diz Kholmann. O atraso é motivado pela indefinição do governo federal em relação ao preço do gás. Comprado em dólar, o preço do produto inviabiliza sua comercialização no atual momento econômico brasileiro.

A solução, de acordo com o diretor da Gas Brasiliano, seria a equalização do preço do combustível importado com o gás natural brasileiro, vendido no Rio de Janeiro. A idéia é que essa equalização funcione por um tempo ainda indeterminado, até que o mercado esteja numa condição de estabilidade, sem a variação diária (e de constante alta) registrada hoje pelo dólar. “Seria uma espécie de carência, para que as empresas pudessem viabilizar seus investimentos no setor”, argumenta.

A Tribuna não conseguiu contato, ontem à tarde, com a direção da Duque Energy para falar sobre o assunto. A reportagem deixou recado para a assessoria de imprensa, mas não recebeu retorno das ligações.

As conversas com o governo, para viabilizar a construção das termoelétricas, estão sendo conduzidas pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). Segundo o presidente da Comgás, Oscar Prieto, uma das idéias, é utilizar recursos da Cide para subsidiar o transporte do gás, que representa 50% do preço do insumo. Segundo ele, a medida provocaria uma redução de US$ 0,20 a US$ 0,30 por mi de BTU no preço do gás trazido da Bolívia até as térmicas, hoje em US$ 3,10 por mi de BTU. Segundo Prieto, a Abegás e as empresas também estão negociando com os fornecedores bolivianos para rever os valores contratados, que hoje estão acima da realidade do mercado. Nos cálculos do presidente da Comgás, é possível baixar o preço em mais US$ 0,30 por mi de BTU. “Com isso, chegaríamos a US$ 2,50, que é o patamar compatível com a energia das térmicas”, afirma Prieto.

O secretário de Energia do estado de São Paulo, Mauro Arce, que também integra a CGSE, calcula que os subsídios que têm sido estudados para o gás poderiam reduzir o preço do insumo em até US$ 1. Ele disse que, assim, os valores ficariam em linha com a estrutura de custos de uma térmica, que é de US$ 40 por MWh. Segundo o presidente da Comgás, Oscar Prieto, o governo e a Petrobras apóiam as ações que estão sendo conduzidas pelas distribuidoras no sentido de reduzir o preço do insumo e viabilizar seu uso nas termoelétricas.

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