Quanto mais natural, melhor. Esta é uma das primeiras recomendações médicas para o cuidado com os recém-nascidos. Nos primeiros meses de vida, a ordem é fugir dos produtos químicos, que podem causar diversas reações no organismo do bebê. As manifestações alérgicas são as mais comuns.
A higiene do recém-nascido deve ser feita com água morna e sabonete neutro, de preferência glicerinado. E nada mais. Perfumes, talcos, óleos, lenços umidecidos, amaciantes de roupas e até xampus devem ser evitados, pelo menos nos primeiros meses de vida.
De acordo com a pediatra Marília Garcia Simões, isso não significa que os produtos não possam ser usados. “Existem coisas muito práticas no mercado, mas o uso disso tem que ser bem moderado, não pode ser habitual, diário. Em casa, a mãe deve usar só a água e o sabonete mesmo. Mas se ela vai viajar e não sabe se haverá um trocadouro ou fraldário no caminho, ela pode contar com os lenços umidecidos para uma troca, por exemploâ€, pondera.
O pediatra Francisco Garcia Neto explica que é impossível prever o potencial de alergia de um bebê. A exposição dele a produtos químicos pode desencadear uma reação alérgica que, em recém-nascidos, tem repercussões bem importantes. “A água morna é certeza que não vai dar alergiaâ€, comenta.
Banho e curativo
Segundo os médicos, o bebê precisa tomar pelo menos um banho por dia. Em períodos frios, o ideal é fazer isso próximo ao horário de almoço, momento mais quente do dia
A água deve ser fervida e a temperatura pode ser medida com o cotovelo do adulto, que é uma região sensível. A pele do bebê é muito mais fina que a pele adulta e pode sofrer queimaduras facilmente. Para evitar choques térmicos, também é preciso fugir das correntes de ar.
Para a limpeza, água e sabonete. “Nem xampu deve ser usado antes de um ano. O cabelinho deve ser lavado com o mesmo sabonete do banho, porque o pH do xampu é muito básico (contrário de ácido) e estimula a produção de seborréia, que é a caspa. Isso não quer dizer que seja proibido, mas tem que usar com critério e bom senso, justamente para não expor a criança ao excesso de químicaâ€, ressalta Marília Garcia.
Ela alerta que, ao lavar a cabecinha, é preciso proteger os ouvidos. O adulto deve tapá-los usando os próprios dedos da mão, sem colocar força. A dificuldade desaparece com o crescimento, quando o bebê começa a tomar banho sentado.
No recém-nascido, o banho deve ser seguido de um curativo no coto umbilical, que demora 7 a 12 dias para cair. Os médicos recomendam desinfetar com álcool a 70% e cobrir apenas com uma gaze, sem colocar faixa. “O coto é igual a uma casquinha de ferida. Quanto mais seco estiver, mais rápido cai. Então, recomenda-se não abafar o localâ€, informa Garcia Neto.
Ouvido, unhas e nariz
Depois do banho, é preciso cuidar dos detalhes. A orelha do bebê deve deve ser limpa e seca com o dedo do adulto envolvido pela ponta de uma fralda, gaze ou da própria toalha. O uso de cotonetes é contra-indicado.
“A cera não é sujeira. É uma proteção do organismo para que não entre água ou bichinhos no ouvido. Ela não deve ser removida. O excesso é eliminado naturalmente pelo organismoâ€, observa Marília Garcia.
“Na limpeza do pavilhão auditivo, o cotonete deve ser evitado. Além de poder empurrar a cera para dentro do conduto auditivo, sempre existe o risco da criança fazer um movimento brusco com a cabeça e ocorrer uma perfuração da membrana (tímpano)â€, alerta Garcia Neto.
A mesma orientação vale para a higiene do nariz. Segundo os pediatras, o cotonete só deve ser usado para remover sujeiras visíveis das narinas. Para a higiene do canal respiratório, os médicos recomendam o uso de soluções à base de soro fisiológico. Depois do banho, aplica-se meio conta-gotas do soro em cada narina.
Isso vai fazer o bebê espirrar para remover as casquinhas. Ou vai amolecer as crostas, que poderão ser facilmente aspiradas e engolidas, desobstruindo as vias respiratórias.
Os médicos ressaltam que fazer isso uma vez ao dia, na hora do banho, é o suficiente. Mas se a criança estiver com secreção nasal, o procedimento pode ser repetido quantas vezes forem necessárias, porque o soro não é remédio e não tem contra-indicações.
O mesmo pode ser feito com os olhos. As secreções podem ser removidas com gaze embebida em soro fisiológico ou água boricada.
Outra coisa que deve ser observada é o comprimento das unhas do bebê, que crescem muito rápido. Segundo os pediatras, é preciso cortá-las a cada três dias, em média. Antes do uso, a tesoura deve ser desinfetada com álcool ou outro anti-séptico.
“Como são muito moles, as unhas podem ser lixadas, ao invés de cortadas. Elas devem estar sempre retas para que não encravem, e com as pontas lixadas para que o bebê não se arranheâ€, comenta Marília Garcia.
Odontopediatras também recomendam que seja feita a higienização da boca do bebê desde os primeiros dias. A indicação é envolver o dedo numa gaze, molhar com água oxigenada e passar cuidadosamente nas gengivas e língua da criança. Isso evita o acúmulo de resíduos alimentares e incentiva o hábito da escovação.