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Frases singelas podem dizer muito


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“Para entrar é preciso saber sair”. Essa frase fantástica, importantíssima na sua simplicidade é de César Luis Menotti, o antológico treinador da seleção argentina, campeão, de 1978. Agora a frase de Menotti está sendo lembrada novamente para traduzir o jogo político que está por trás da antecipação da eleição presidencial, anunciada por Eduardo Duhalde, na Argentina. A frase de Menotti quer dizer que para avançar às vezes é preciso tocar para trás, dar rodeios, não só investir de frente. Os jornais argentinos acham que Duhalde está adotando essa linha paradoxal de encurtar o seu mandato para, na verdade, aumentá-lo. As eleições foram marcadas para março de 2003 e a posse em maio, com isso o mandato de Duhalde fica menor seis meses. É que com a crise jumbo da Argentina, ninguém bom da cabeça poderia garantir que o atual presidente fosse chegar incólume até a data anteriormente marcada, dezembro do ano que vem. Então, o governo vai abrir mão de um tempo que não tinha. E com isso tenta agregar patrimônio para enfrentar a tempestade até março. O que muita gente não acredita que ele tenha condições.

Os argentinos, pelo visto, não estão seguindo a máxima de Menotti pela qual “para entrar é preciso saber sair. No Brasil também pode estar ocorrendo a mesma coisa só que adaptada ao nosso clima e temperamento. Seria preciso talvez mudar a frase para “para subir na árvore é preciso também saber descer”, o que parece não está acontecendo.

A equipe econômica não pisca. Como se fosse um duelo em “Tombstone City”. Está todos os dias na televisão para explicar o inexplicável. A alta do dólar não tem razão de ser, as contas do Brasil estão todas certas. Mas o dólar, à revelia de Pedro Malan e de Armínio Fraga, insiste em subir. O risco Brasil, irritantemente, continua a bater recordes. E os analistas internacionais continuam a fazer previsões catastróficas com relação ao país.

Como não sabe descer da árvore, a dupla impagável culpa diretamente os candidatos da oposição pelos pinotes dos índices financeiros. Não deixa de ser uma tentativa de jogar areia nos olhos dos basbaques. Só que mesmo chamando a atenção para o outro lado, eles não estão conseguindo descer da árvore e chegar no chão. Malan, Fraga & Companhia seguram a inflação com os juros nas alturas cujos beneficiários são os especuladores de todos os matizes, inclusive os bancos nacionais que se dizem patriotas. O Tesouro paga religiosamente a quem deve. Não mede esforços para fazer isso à custa do endividamento das empresas, do desemprego, da redução do poder de compra e etc.

O governo não atrasa um centavo a seus credores daqui e de fora. Por isso não é necessário ser um “band-leader” para descobrir porque os investidores estrangeiros, os bancos, o FMI, o BID gostem tanto do pessoal que comanda atualmente o “País Tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza”. E mais natural ainda, que eles considerem Fernando Henrique e Malan gênios da raça. Ninguém acha um cliente tão bom assim a toda hora. Dessa forma eles só podem qualificar a crise brasileira como política. Nenhum candidato eleito, que vá substituir Fernando Henrique, irá achar bom manter o mesmo estado de coisas. Até mesmo para José Serra, o candidato da continuidade, será difícil admitir a manutenção das regras do jogo. Primeiro porque isso aqui vira mesmo uma grande Argentina. E depois, como toda a economia está engessada, o sucessor passará os quatro anos de mandato tentando se justificar para o eleitor. Do jeito que está, ele não terá condições de fazer nada a não ser pagar juros. (O autor Fernando José Dias da Silva, é articulista da Agência Estado)

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