A Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru inicia hoje uma série de eventos culturais que irá envolver cerca de 600 professores da rede pública estadual. O encontro faz parte do Programa de Educação Continuada (PEC) e tem como objetivo ajudar na elaboração da monografia de final de curso dos professores e propiciar a eles um contato mais estreito com a universidade.
Até o meio-dia do próximo sábado, os participantes farão parte de grupos de discussão e poderão participar de minicursos e de oficinas. Além disso, está programado também uma sessão de cinema, na sexta-feira de manhã. A estada dos professores em Bauru será custeada pela Secretaria de Educação.
O contato dos professores com especialistas da área de pesquisa é encarado pelos organizadores como indispensável para o sucesso do programa. Além disso, a troca de experiências entre eles também merece destaque por sua importância.
De acordo com o professor Clodoaldo Meneguelo Cardoso, as oficinas e minicursos servem para enriquecer o programa com conteúdos que o curso não aborda diretamente. Como, por exemplo, o uso do jornal em sala de aula.
O PEC começou no ano passado e termina neste ano. Além de profissionais da Unesp, o programa envolve também funcionários da Universidade de São Paulo (USP), da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e da Secretaria Estadual de Educação.
Ao todo, participam do programa cerca de sete mil professores da rede estadual de ensino, que dão aula para alunos de 1.ª a 4.ª séries, mas ainda não possuem curso superior.
As aulas são transmitidas em forma de vídeo-conferência através de estúdios instalados em Bauru, Rio Claro, Marília, Franca, Assis e Presidente Prudente.
O sistema de transmissão possibilita ainda a interação entre “alunos†e professores. A recepção das aulas é feita nos Centros Específicos de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (Cefams) espalhados pelo Estado.
Segundo a professora Ana Maria de Andrade Caldeira, coordenadora do projeto, o PEC é um programa de formação universitária com uma característica diferente daquelas que normalmente são oferecidas pelos cursos regulares.
Todo conteúdo é produzido em conjunto por professores da Unesp, USP, PUC e por representantes da Secretaria de Educação.
Para o professor Cardoso, a importância do programa vai além da obtenção do diploma.“Não é simplesmente por causa de um diploma de curso superior que os professores vão mudar de vida. Eles vão continuar fazendo as mesma coisas de antes, só que de maneira mais reflexiva e aprofundada. A prática deles vai ganhar uma fundamentação teóricaâ€, argumentou.
“Muitos professores com vasta experiência em sala da aula estarão participando pela primeira vez de um encontro acadêmico em uma universidade. Isso tem um significado muito importante na vida deles, como profissionais e como pessoasâ€, acredita ele.
Oficina vai abordar jornal em sala de aula
Uma das 19 oficinas que serão oferecidas aos participantes do Encontro de Educadores irá abordar o uso do jornal em sala da aula. Para tanto, a professora de linguística e língua portuguesa Iracema Torquato usará como modelo o suplemento JC Criança, que circula todos os domingos no Jornal da Cidade.
O trabalho com jornal em sala de aula é resultado de uma pesquisa desenvolvida pela professora, que procura desenvolver nas crianças um senso crítico diante das notícias, e vai da leitura à produção dos textos.
A intenção, segundo Iracema, é passar aos professores que estarão em Bauru atividades de dinâmicas jornalísticas para que eles façam e passem para os alunos.
Com isso, os alunos passariam a dominar o mínimo de linguagem técnica jornalística e teriam condições de produzir um pequeno jornal em sala de aula.
Como serão apenas seis horas de oficina, Iracema pretende apenas ensinar os professores como se constrói um lead (abertura da notícia) infantil. O assunto foi tema de uma pesquisa desenvolvida por ela.
“Vou passar uma teoria explicando como é o lead infantil. Uma das coisas mais difíceis é a abertura de uma matéria. Se é difícil para um adulto, imagina para uma criançaâ€, comenta ela.
Além desse tema, Iracema espera ter tempo para explicar também qual a distinção entre notícia e reportagem.
Segundo os organizadores, cerca de 30 professores já haviam feito inscrição para a oficina.