Dando continuidade à série de clássicos do cinema mundial que vai exibir toda quarta-feira até o fim do mês, o Sesc apresenta hoje, às 20h, o filme “O Encouraçado Potemkimâ€, do diretor russo Sergei Eisenstein, que rivaliza com “Cidadão Kane†(filme que será exibido no Sesc no dia 17), de Orson Welles, quando está em questão o título de maior filme já realizado.
“O Encouraçado Potemkim†foi financiado pelo Partido Comunista da União Soviética para comemorar os 20 anos da rebelião de 1905 contra as autoridades czaristas. Foi concebido como um amplo painel sobre aquele ano específico, mas se ateve a um levante do fim do período czarista.
O filme foi sucesso de público e crítica, projetou Eisenstein para o mundo e, ainda hoje, é um dos marcos da história do cinema. Liderou a lista de obras-primas da sétima arte até os anos 60, antes da supremacia de “Cidadão Kane†nas últimas quatro décadas.
É um libelo contra a tirania e uma peça de propaganda soviética, com estética vinculada às vanguardas artísticas em evidência (o teatro de Meyerhold, o cubismo, o futurismo). Eisenstein emprega a “montagem das atraçõesâ€: funde duas imagens com sentido próprio para criar um terceiro significado. Ainda inova ao recusar o herói individual para investir no coletivo - o povo.
O filme reconstitui o célebre episódio do amotinamento dos marinheiros do Potemkim que, ameaçados de fuzilamento ao se revoltarem contra os maus-tratos recebidos a bordo, atiram seus oficiais ao mar.
O encouraçado dirige-se depois para a baía de Odessa, onde os moradores confraternizam com os revoltosos. Na mais famosa seqüência do filme, as das escadarias de Odessa, os cossacos, armados, massacram a população.
O diretor
Nascido na Rússia e formado em arquitetura, Einsenstein foi cenógrafo do teatro soviético no início da década de 20. Passando para o cinema, desenvolveu sua famosa teoria da montagem. Embora fosse um colaborador fiel do regime e propagador eficaz da ideologia comunista, passou a sofrer perseguições desde que excursionou pelo mundo com seus filmes entre 1929 e 1931.
Depois de passar pela Europa e pelos Estados Unidos, foi para o México, onde rodou uma série de histórias, a maioria não concluídas. Seu maior projeto no país foi “Que Viva Méxicoâ€, uma obra ambiciosa sobre a história de uma nação e sua cultura.
Infelizmente, as filmagens foram interrompidas por problemas financeiros, e o material, mais tarde, caiu em mãos gananciosas e pouco inspiradas, que terminaram a montagem das imagens em 1979 (A Continental está lançando um DVD com o filme montado em 79 e mais as imagens que sobraram, além de extras sobre o diretor).
Considerado um desertor, foi obrigado a retornar à União Soviética, onde teve seguidos problemas com o governo, que o forçou a fazer uma autocrítica pública de seu trabalho para escapar as punições características da ditadura stalinista.
A exibição da segunda parte de seu último trabalho, “Ivã, o Terrívelâ€, rodado em 1945, ficou proibida por 13 anos. Eisenstein morreu de ataque cardíaco, em 1948.
Filmografia de Eisenstein
• “A greve†(1924)
• “O Encouraçado Potemkin†(1925)
• “Outubro†(1927)
• “A Linha Geral†(1929)
• “Que viva México†(1931) - inacabado
• “O Prado de Bezhin†(1935) inacabado
• “Alexandre Nevski†(1938)
• “Ivã, o Terrível†(1944/45) em duas partes
Serviço
“O Encouraçado Potemkimâ€, hoje, às 20h, no Sesc. Entrada franca. Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: telefone (14) 235-1750.