Tem-se em conta que a violência ganhou, nos últimos tempos, impulsos verdadeiramente extraordinários no País. Até então não se tinha a impressão de que ela ultrapassaria seus limites, chegando a ponto de estarrecer a população, pois custava acreditar que, nesta altura do aperfeiçoamento humano, explodissem setores ou no mínimo grupos ferozes propensos a promoverem ousadias inadmissíveis como as atuais. Contudo, o que não se poderia considerar exeqüível no terreno do desrespeito pessoal, aí está ocorrendo terrivelmente, conforme patenteiam os meios de comunicação, levando os fatos ao conhecimento imediato de quantos os lêem ou escutam. O máximo veio à lume, dias destes, quando foi divulgado que nem o prédio da Prefeitura do Rio de Janeiro conseguiu livrar-se da selvageria, alvo que foi de granadas e demais armas de fogo detonadas por uma turma de criminosos. A partir do décimo pavimento do majestoso edifício nenhum dos demais escapou dos petardos dos selvagens. Mercê de Deus, ninguém dos que estavam funcionando no local, naquele fatídico momento, sequer saiu ferido. Deplora-se, porém, que não ficaram apenas nisso as atrocidades daqueles dias, uma vez que, de contrapeso, também aconteceram tiroteios violentos em várias favelas da cidade, desta feita com saldos de mortos feridos, além de outras em praias da antiga Capital do País, com projéteis, tidos como perdidos, escolhendo algumas crianças para tirar a vida. Em São Paulo, houve, igualmente, um punhado de tristezas do gênero, inclusive em frente a uma escola de 1.º Grau, onde se verificou uma dolorosa fuzilaria. Para completar o panorama a incidência de assaltos e seqüestros urbanos também cresceu assustadoramente, enquanto não ficava atrás uma quantidade de greves profissionais, do funcionalismo público e até de militares em algumas cidades. Não se puseram fora da moda até os chamados “camelôsâ€, que pararam o atendimento de sua vultosa clientela. Chegou-se ao cúmulo de o Governo Federal arregaçar as mangas e ser forçado a tentar vencer a repetência da selvageria instituindo um programa de combate a ela, ainda que não se revestindo do rigor que se teria de exigir de seu texto, no qual somente 10 tipos de repressões foram adotados. Teriam de ser mais rigorosos, afirmam os críticos, por acreditarem que os terroristas, sequestradores, assassinos e demais perversos certamente não se arvoram a dar-lhes a “menor bolaâ€. Contudo, convenha-se, haveria forma mais eficaz condicionada a colocar fim à “guerra†e seus autores? Haveria no País uma plêiade de inteligências de alcance suficiente para vencer a batalha? Duvida-se, peremptoriamente, pois, se não há em tantos outros territórios, como Argentina, Chile e Equador, da mesma forma que na América do Norte e Europa, aqui teriam que haver? Entende-se, por isso, que só Deus e seu exército possam consegui-lo. Ninguém mais! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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