Barra Bonita - A estudante Natasha Ometto, 16 anos, filha do empresário Pedro Ometto Neto, um dos acionistas da Usina União da Barra, localizada em Barra Bonita, foi libertada no final da noite de anteontem, após 80 dias em poder dos seqüestradores. É um dos seqüestros mais longos da história do crime nacional.
Natasha chegou de táxi a sua casa, na região do Pacaembu, em São Paulo por volta das 23h de anteontem. O desfecho do caso foi combinado por um negociador da família que fez várias viagens para o Vale do Paraíba e Santos.
A família manteve a polícia afastada do caso por exigência dos seqüestradores. A estudante foi seqüestrada próximo ao Shopping West Plaza, Barra Funda, zona Oeste da Capital, quando voltava de Barra Bonita e dirigia-se com o motorista da família para a casa da mãe.
Segundo a polícia, o carro onde estava Natasha foi cercado por cinco homens que a colocaram junto ao motorista em outro veículo. O funcionário da família foi liberado minutos depois.
A polícia suspeita que os seqüestradores de Natasha participaram de outros dois seqüestros no Estado. Os investigadores da Divisão Anti-Seqüestro (DAS) conversaram com a estudante na madrugada de ontem, horas após sua libertação. O resgate pago, segundo amigos da família, teria sido de US$ 150 mil.
O dinheiro teria sido deixado pelo irmão da estudante na rodovia dos Imigrantes. Nos primeiros contatos, os seqüestradores teriam exigido US$ 5 milhões, mas concordaram em diminuir o valor.
Retrato falado
Abatida, mais magra, Natasha foi examinada por um médico na manhã de ontem. Com as informações da estudante, a polícia está preparando o retrato falado dos dois homens que a retiraram do carro e a levaram.
A DAS já tem o retrato de um dos seqüestradores. A DAS começou a investigar o caso e reuniu indícios de que o crime pode ter sido praticado por um grupo da mesma quadrilha responsável pelo seqüestro de Roberto Benito Junior, um dos herdeiros das Lojas Cem, ocorrido no fim do ano passado. Benito Junior foi libertado após 121 dias em cativeiro. A família pagou US$ 1 milhão de resgate. O outro caso em que a quadrilha pode estar envolvida ocorreu no ano passado, na cidade de Presidente Prudente.
Certeza
A gincana para o pagamento do resgate e libertação de Natasha começou na noite de quinta-feira da semana passada. Os seqüestradores mostraram que estavam bem organizados. Obrigaram o irmão da estudante encarregado da entrega do dinheiro a seguir para cidades do Vale do Paraíba e do litoral. Queriam ter a certeza que não estavam sendo seguidos pela polícia.
Depois de várias viagens, com o encontro de bilhetes com instruções, os bandidos mandaram que ele deixasse os dólares na rodovia dos Imigrantes, na madrugada de quarta-feira. Dezoito horas depois de receber o dinheiro, Natasha foi libertada.
A polícia disse não ter identificado testemunhas da abordagem do carro da estudante. Os seqüestradores demoraram dez dias para fazer o primeiro contato com a família.
Durante as negociações, os bandidos ligaram quatro vezes e se recusavam a fornecer prova de que a garota estava viva, exigida pela família. No começo da semana passada, os seqüestradores mandaram uma foto de Natasha segurando um jornal do dia. Três dias depois começaram as negociações para o pagamento do resgate.
Ameaça
Nos 80 dias de seqüestro, Natasha Ometto disse aos policiais ter recebido diversas ameaças de morte. Os seqüestradores diziam que iram matá-la se não fosse pago o resgate. Segundo a polícia, ela teve de falar sobre sua família. Os bandidos sabiam muitos detalhes do dia-a-dia da estudante. Ela explicou aos criminosos que o dinheiro que exigiam jamais seria conseguido pelos pais.
O cativeiro era um quarto escuro. Todas as vezes em que seus carcereiros entravam com a comida, a jovem tinha de permanecer com o rosto encostado na parede. Se virasse, seria espancada.