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O que nos espera


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Nas 12 semanas que nos separam das eleições, dois problemas certamente vão figurar com maior destaque na pauta dos candidatos à Presidência da República.

O primeiro desses problemas é o do desemprego, que já foi o carro-chefe da campanha anterior, quando a garantia de que iria terminar com ele ajudou a reeleger o atual presidente. Quatro anos depois, a taxa do desemprego cresceu para o nível recorde de 8% da população economicamente ativa nas principais regiões metropolitanas.

A situação é ainda mais grave no caldeirão paulista, onde a taxa é de 20%, o que significa a exclusão de 2 milhões de pessoas do mercado formal de trabalho.

O segundo problema é o da dependência externa, construída ao longo dos últimos oito anos, a partir da política cambial do primeiro mandato que desorganizou o setor exportador nacional e facilitou a invasão de nosso mercado interno por produtos estrangeiros, com largo financiamento internacional. Nesse período, o Brasil acumulou uma dívida externa de US$ 200 bilhões e um passivo externo de US$ 400 bilhões. A dívida corresponde a empréstimos que o País tomou no exterior para financiar os déficits das transações correntes. Em 1994 , o comércio exterior brasileiro teve saldo de US$ 10,5 bilhões. Em 1995, devido à política de valorização do real, a conta se inverteu e tivemos um déficit de US$ 3,3 bilhões: uma inversão de US$ 14 bilhões na balança comercial, em apenas um ano! Nos anos seguintes (até 1999, quando mudou a política cambial) as importações continuaram crescendo mais do que as exportações, acumulando déficits nas contas de comércio e de pagamentos, e aumentando a dívida para que o País consumisse US$ 200 bilhões a mais do que produzia internamente. Quem emprestou, naturalmente espera receber juros e seu dinheiro de volta. Com o aumento recente do risco dos países emergentes, o financiamento se tornou mais difícil e oneroso. Precisamos produzir um excedente de US$ 50 bilhões por ano (algo como US$ 1 bilhão por semana) para pagar as amortizações dos empréstimos e para cobrir o déficit em conta corrente que continuamos fazendo.

Como resolver os dois problemas?

Para recuperar a capacidade de gerar empregos, a economia precisa crescer. Para crescer, o País tem que superar a barreira da dependência externa. Ela só será rompida se voltarmos a construir saldos comerciais de US$ 10 ou US$ 12 bilhões anualmente, durante vários anos. Temos que convencer os credores de que vamos aumentar as exportações e produzir os saldos na balança de comércio, restabelecendo a confiança em nossa capacidade de honrar a dívida. Isso reduzirá os custos do financiamento externo e nos permitirá baixar as taxas de juros internas, ampliando o crédito aos setores produtivos, reativando o crescimento da economia e voltando a dar emprego à nossa gente.

Antonio Delfim Netto é deputado federal pelo PPB-SP, professor emérito da USP E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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