Sabemos que o brasileiro é muito mal informado. Isso pode acontecer tanto por falta de hábito de leitura, ou porque as notícias que chegam até nós mostram apenas o ponto de vista da mídia. Quanto a esta última, não há diferenças entre Folha, Globo e Veja. Provamos ao citar a transmissão da Copa do Mundo: narração forçada, com exaltações exageradas que criaram um certo clima de tensão. Clima este, mesmo em se tratando de patriotismo, desnecessário.
O brasileiro foi se acostumando a não ter que raciocinar e perdeu, se é que já teve, o poder de chegar a uma conclusão própria. Dizemos isto, por que já vivenciamos situação parecida com os atentados terroristas que abalaram os Estados Unidos. Logo após este episódio, que foi transmitido pela televisão, toneladas de especulações foram lançadas e pessoas no Brasil ficaram com medo de sair às ruas! Causa desse pânico tem nome: mídia sensacionalista.
E, é por meio dela que o povo se informa. São notícias esportivas, e de celebridades novelísticas, que tomam o lugar de informações políticas, sociais e econômicas. O que fica difícil até para escolhermos o futuro presidente: ela critica o governo, consequentemento o povo também. Muda o governo, muda o alvo.
A mídia impressa é um pouco mais culta, já que seus informantes podem ficar no anonimato. Mas trabalha em função de uma ideologia adotada, e isso limita muito os pontos de vista das notícias e de ações políticas. Com relação às últimas de que o Brasil seria o país de maior risco e de que estaria em crise, cremos que esta crise nunca irá passar. Analisando bem, sempre estivemos em meio à elas. Nossa dívida externa começou na época de nossa independência, ao pagarmos dois milhões de libras esterlinas à Portugal. Depois disto “demos um jeitinho†para continuarmos a viver. Sempre dependendo de outro país. Ainda possuímos nossas características coloniais.
Não cremos também no agravamento desta situação em que nos encontramos. Expeculações com relação a futuros governos cheiram a la oposição e não deveriam ser consideradas. Elas sempre são precoces e moldam a opinião popular. Por exemplo, havia especulações de que a nossa seleção de futebol não passaria para a segunda fase da tal Copa do Mundo. Não foi o que aonteceu. Devido ao “jeitinho e catimba chegamos à final do campeonato!
Na verdade, a pior crise que enfrentamos é a falha estrutural. Falta segurança , mão-de-obra qualificada e patrões decentes. Prova disso é a falência de mais de 70% das pequenas e médias empresas em menos de dois anos de funcionamento. E olhe que estas empresas representam 90% do total de empresas nacionais.
Talvez, o motivo da instabilidade esteja aqui. Talvez esteja na educação. Afinal, não adianta criamos “robôs de leituraâ€. Temos que educar mentes que raciocinem! Ora, falta de estudos gera assimilação de opiniões prontas, mastigadas.
Não que o governo atual tenha total responsabilidade pela situação. Mas a quem interessa a construção de rodovias no Brasil? A quem interessa os empréstimos do FMI se não podemos os investir em produção? Esse governo não que voltar a estabilidade? Governos passados têm mais responsabilidades sobre isto. Não souberam o que fazer a favor de nosso querido País. A quem interessou a economia agro-exportadora? A uma minoria detentora do poder? Ou o que foi a economia cafeeira? O que representa o café na economia mundial? O que ganhamos com isso, se hoje somos meros exportadores de tecnologia?
O povo também teria que cumprir com sua parcela para sair desse fosso, mas está acostumado a esperar. Esperar por algum herói. E enquanto isso vai se enchendo de informações especulativas. Apenas não se esqueça de que na época da Ditadura foi a mídia quem fez o papel social do governo, mostrando as “Mil Maravilhas†de uma país em regime militar. (André Lennon Lini Rafael - RG 34.386.777-1)