Saúde

Vacina é grande expectativa mundial

Por Da Redação | Com Agência France Presse
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Sabendo estar muito distante da cura para a aids, a comunidade científica mundial tem lançado expectativas em torno da descoberta de uma vacina que imunize o ser humano contra o vírus HIV. Depois de 20 anos de epidemia e muitas hesitações, a pesquisa sobre uma vacina contra a doença parece avançar. Mas os especialistas preferem aguardar com cautela, sem fazer previsões.

De acordo com o programa de aids da Organização das Nações Unidas (Onuaids), a pesquisa sobre uma vacina contra o vírus tem gasto entre US$ 400 milhões e R$ 500 milhões por ano. Mas os estudos encontram vários obstáculos.

Em primeiro lugar, porque, ao contrário do que ocorre com outras enfermidades infecciosas, o vírus ataca diretamente os glóbulos brancos, que são precisamente os encarregados de organizar a defesa do organismo. Sendo atacados, os glóbulos brancos tornam-se incapazes de controlar a infecção e de impedir que sobrevenha a enfermidade.

O segundo obstáculo é que as vacinas tradicionais são elaboradas a partir de vírus ou bactérias inteiros, mortos ou enfraquecidos em laboratório. No caso do HIV, isso poderia ser perigoso para o homem. Por isso, os cientistas são obrigados a dirigir suas pesquisas para as produtos elaborados a partir de elementos do vírus, o que torna ainda mais difícil sua preparação.

As múltiplas variações do vírus constituem uma dificuldade suplementar às pesquisas. Até hoje, foram identificados não menos que dez subtipos do HIV. Segundo a Onuaids, a maioria das vacinas testadas são feitas a partir de características genéticas do subtipo B - o mais estendido nos países ricos.

A última questão, que ainda não está apresentada, mas sobre a qual as autoridades de saúde já refletem, é o acesso ao produto. “Geralmente, as vacinas chegam aos países de baixa renda somente quando seus custos são amortizados nos países de alta renda, mas não podemos deixar que esse fenômeno se reproduza com as vacinas antiaids”, adverte a Onuaids.

Segundo a organização, no caso da aids, uma vacina anti-HIV teria que estar disponível e ser financeiramente acessível para o mundo todo assim que fosse confirmada sua eficácia, o que pode ser mais um desafio à solução da epidemia.

Novo medicamento

Enquanto a vacina não vem, empresas farmacêuticas buscam novos remédios, cujos estudos objetivam, principalmente, a redução de doses diárias e a redução dos efeitos colaterais. De acordo com os laboratórios Trimeris e Roché, uma nova droga pode estar disponível na Europa e América do Norte “em breve”.

O “inibidor de fusão”, T-20, é o primeiro que funciona impedindo o vírus da aids de entrar nas células do organismo. Os remédios usados atualmente combatem o vírus depois que eles entram nas células do sistema imunológico.

O T-20 está sendo apresentado pelos laboratórios como um “milagre” quando comparado ao melhor tratamento combinado disponível hoje.

“Faz a carga viral (quantidade de vírus no sangue) cair abaixo dos níveis de detecção no dobro dos pacientes em relação ao tratamento de comparação”, afirma o professor Bonaventura Clotet, responsável pelo setor de aids do hospital de Barcelona Germans Trias i Pujol. “Nos surpreendemos e alegramos muito com estes resultados”, acrescenta.

O T-20 foi testado em pacientes que estão em tratamento há bastante tempo e tornaram-se resistentes aos medicamentos disponíveis. Para muitos especialistas, ele pode ser considerado o remédio mais complexo produzido até agora. O produto é aplicado com injeção subcutânea. Foi testado em mais de 1.000 pacientes, incluindo a América do Norte, Brasil, Europa e Austrália.

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