Tribuna do Leitor

Espírito Santo da criminalidade impune


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O nome acima até parece o de uma cidade encravada nos cafundós do sertão nordestino. Parece mas não é. Na verdade, é a realidade do país da impunidade e dos desmandos como jamais se viu em tempo algum. No Espírito Santo existem centenas de processos por corrupção, denúncias de ligações do poder público com o crime organizado, acusações de cobranças de propinas, policiais presos por envolvimento em chantagens e ligações com grupos de extermínios e do narcotráfico.

Apesar de todas as denúncias e das inúmeras evidências levantadas pelo Ministério Público em conjunto com a OAB, do envolvimento do governo estadual e até do poder legislativo local, o governo FHC preferiu mais uma vez não apurar o que está acontecendo naquele estado da federação, pelo simples fato de que a intervenção naquele estado seria explorada pela oposição nas próximas eleições. O processo de intervenção foi abortado na noite de 8/7 pelo sr. Geraldo Brindeiro, a pedido de FHC, causando inclusive a demissão do Ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, que era favorável à intervenção.

O governador José Ignácio Ferreira responde a cinco processos no STF por crimes contra o sistema financeiro e contra a administração pública, além de dois processos contra a honra. Deixou o PSDB quando enfrentava um pedido de impeachment e teve quatro de seus secretários de Estado demitidos sob suspeita de corrupção, além de ver o nome de sua esposa envolvido em denúncias de corrupção.

A pergunta que não quer calar é qual o motivo de tanto medo do nosso presidente em fazer a intervenção naquele estado e apurar todas as denúncias ? Não é a toa que o sr. Miguel Reale Júnior tenha sido o oitavo ministro da justiça da era FHC, enquanto que por coincidência na pasta da Fazenda ele tenha seguido apenas com o sr. Pedro Malan. É muito estranho que na pasta da Justiça ninguém fique para contar a estória, ou ninguém consiga fazer evoluir qualquer processo de apuração de denúncia de corrupção no âmbito do governo federal ou estadual. Não é estranho que a Polícia Federal tenha colocado escutas telefônicas nos membros do PT em Santo André, mas não tenha feito o mínimo esforço para apurar a bandalheira no Espírito Santo? Não é estranho que a imprensa tenha dado tanta ênfase aos episódios do ABC paulista e não tenham destacado os escândalos administrativos ocorridos no ES?

Não é a toa que Lalau esteja preso pelos atos de lavagem de dinheiro e tráfico de influência, crimes que não poderiam ter sido praticados isolados, sem a participação ativa de vários figurantes importantes do alto escalão de Brasília. Lavagem de dinheiro de quem? De qual origem? Liberados por quem? Tráfico de influência sem correspondentes ao ato?

É o país da impunidade e da elite que rouba, trafica, corrompe e pega oito anos de cadeia com direito a redução de 1/3 da pena por bom comportamento, sem ter que devolver os R$ 169 milhões aos cofres públicos. Viva Lalau ! Viva José Ignácio ? Viva FHC ? Viva o eleitor brasileiro em 6/10/2002. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6 )

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