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Real sentido da vida


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Aumenta substancialmente no mundo inteiro o número de budistas convictos e praticantes. Há 100 anos, quando, pela primeira vez, deu-se conta do crescimento, eram cerca de 300 milhões só no Oriente, enquanto no Brasil haviam mais de 500 mil acomodados em 220 templos, volume expressivo tendo-se em vista que a religião, introduzida entre nós por imigrantes japoneses no começo do último século, até os anos 60 os nipônicos eram aqui seus únicos seguidores. E se pode acrescentar que o desenvolvimento acontece também em muitos países ultradesenvolvidos, entre eles a França, onde há hoje 750 mil, e, nos Estados Unidos, somente uma seita reúne mais de um milhão. No contexto internacional é notória a inclusão de milhões de gente famosa - autoridades civis e militares, legisladores e artistas de cinema, televisão e rádio - que abraçam entusiasticamente essa comunidade que tem pouco a ver com as tradições culturais do nosso prezado Ocidente.

Como se justificaria todo esse encanto, neste começo de novo centenário, por essa religião nascida, há mais de 2.500 anos, no outro distante lado do Planeta? A sua popularidade, entre as tantas tristezas humanas destes tumultuosos dias, seria motivada por um irrefreável desejo de libertação de pecados, ainda que os seus praticantes possam não ter preocupação com a existência ou não de Deus, ou, por outro prisma, mostrem todos eles crença na sua capacidade de modificar o próprio destino, isto tendo-se em conta que o budista acredita na ressurreição, ou seja, na existência de várias vidas após a morte? Há controvérsias, porque, ao que afirmam pesquisadores, “o budismo não é apenas uma doutrina de orientais que fogem para o alto das montanhas e, simplesmente, renunciam aos prazeres da existência humana”. Historia-se que, após a morte de Sidarta Gautama, o Buda, que inventou a seita na milenar China, “seus ensinamentos passaram a ser vigorosamente conservados pelos discípulos, mas bastaram 100 anos para surgirem contradições quanto à sua interpretação. Talvez a própria ausência de mais dogmas seja responsável pelo surgimento de tantas correntes budistas no mundo” - afirma-se - enquanto para outros historiadores a doutrina propõe uma visão de mundo muito sadia, “não havendo sacerdotes ou intermediários entre o homem e uma divindade superior, sendo pelo exercício de uma sadia espiritualidade individual que se alcança o autoconhecimento, ou seja, a chave da prática budista, a qual é uma saída alternativa, pois estimula o homem a buscar soluções para seus problemas dentro de si próprio, e, dessa forma, libertar-se das ilusões egoístas”.

Como nasceu o budismo? Explicam os fatos que, ciente de que um futuro excepcional estava reservado ao filho, o pai de Sidarta - respeitado rajá Sudohodana - fez construir para ele três palácios, dos quais excluíu tudo quanto pudesse lembrar os males do mundo. Consequentemente, Sidarta passou a juventude num ambiente de luxo, com um harém de (pasme-se) 84 mil mulheres. Seria isso possível? Posteriormente, todavia, tendo obtido esclarecimentos sobre o real sentido da vida, o jovem deixou para trás o fausto dos palácios e das mulheres e, durante 45 anos, fez peregrinações disseminando tais instruções em toda a Índia, inclusive no principado indiado do Kapilavast, região sul do atual Nepal, onde nasceu no século VI e se tornou príncipe. A partir daí o budismo vem se irradiando ininterruptamente, e, então, servindo de aprendizado social e humano para todas as sociedades, irmanado com as demais religiões, pois cônscio de seus deveres quanto à educação da humanidade. Eis, finalmente, capítulos de sua história. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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