Ele é o santo protetor dos motoristas de carros, caminhões, ônibus e afins. Mas será que São Cristóvão, cujo dia é comemorado na próxima quinta-feira, 25, também consegue proteger aqueles que, por obrigação profissional convivem diariamente com a morte, como os condutores de veículos fúnebres?
Para o bauruense José Gilberto Batista, enfermeiro e motorista de uma funerária bauruense, a resposta é afirmativa. “Ele não escolhe uma categoria em especial, pois abençoa todos os que dirigem de forma geralâ€, considera ele.
Batista já está há seis anos na profissão e explica que não teve problemas para se adaptar à atividade em razão de ter trabalhado anteriormente em um hospital. “Além disso, quem está iniciando em uma funerária raramente atua no ambiente de acidentes graves. Mas, se a pessoa já entra atendendo casos traumáticos, certamente sente o baqueâ€, afirma ele.
O motorista explica que, em razão disso, geralmente os agentes funerários começam na profissão operando tarefas mais simples, como cortar flores ou auxiliar nos funerais. “Não demora e logo eles passam a encarar o serviço com naturalidadeâ€, frisa.
Batista garante que nunca sentiu medo ao transportar sozinho um corpo no carro fúnebre. “Acontece de alguns ficarem receosos de levá-los, mas rapidamente se acostumam, passando a integrar a rotina da atividadeâ€, diz ele. Ao abordar o assunto, o motorista recorda-se de um episódio ocorrido há cerca de quatro anos. Batista retornava durante a madrugada de Presidente Prudente a Bauru transportando um corpo em um veículo fúnebre.
Ao parar em um posto de combustíveis para descansar, foi abordado por duas pessoas que lhe gozavam do fato de estar com um morto no automóvel. “Me perguntaram se tinha medo de andar com ele. Respondi que não e retruquei que estava é com medo de ser assaltado por elesâ€, conta ele.
Profissionalização
Batista confirma que a profissão também é alvo de brincadeiras. “Muitos nos chamam de coveiros ou papa-defuntos, mas isso é só no começo. Quando explicamos a importância do nosso trabalho, as zombarias páramâ€, assegura ele.
Apesar de possuir características diferenciadas, Batista enfatiza que a atividade é cercada de extrema relevância. “As pessoas querem ver seus entes bem arrumados e preparados com todo carinho e respeitoâ€, frisa o agente funerário. Por essa razão, continua ele, a atividade, há cerca de dez anos, está profissionalizando-se dia-a-dia. “Hoje fazemos até cursos, como os de restauração e necromaquiagemâ€, revela.
Os reflexos disso, acrescenta Batista, é que as funenárias no País já fazem preparações para os corpos suportarem mais de 24 horas em velórios. “Além disso, mais de 95% das urnas são abertas durante os mesmos. Atualmente, vai-se até o último recurso para que possam ser apresentados desta forma, pois uma das piores coisas para a família, além do sofrimento, é não poder ver a urna de seu ente abertaâ€, finaliza ele.
Comemorações
As comemorações do dia dos motoristas em Bauru começam na próxima sexta-feira, 26, a partir das 18h30, com uma grande festa na paróquia de São Cristóvão. No sábado, 27, a programação prossegue com um churrasco no mesmo horário e local. Segundo Jair de Souza Gomes, integrante da comissão organizadora, a expectativa é reunir pelos menos 800 pessoas durante os dois primeiros dias das festividades.
Já no domingo, 28, os eventos começam logo pela manhã com a tradicional benção dos veículos, que será efetuada pelo padre Vagner Aurélio Palma, da paróquia de São Cristóvão. A carreata sairá, a partir das 9 horas, da quadra 40 da avenida Nações Unidas (em frente ao Sindicato dos Motoristas - Sindbru) e percorrerá as principais ruas da cidade.
O trajeto da procissão com a imagem de São Cristóvão à frente passará pelas avenidas Nações Unidas, Orlando Ranieri e Duque de Caxias até a rua Araújo Leite. Desta, a carreata seguirá para as vias 1º de Agosto, Virgílio Malta e Rio Branco até chegar na quadra 15 da avenida Nossa Senhora de Fátima, local da paróquia de São Cristóvão.
Após a peregrinação pelas ruas e avenidas bauruenses, a programação segue com uma missa, prevista para iniciar-se às 11 horas, e um churrasco nas dependências da paróquia.
História do santo
Conta-se que São Cristóvão viveu provavelmente na Síria e sofreu o martírio no século III. Seu culto remonta ao século V e, de acordo com a lenda, Cristóvão era um gigante com mania de grandezas.
Após ter suposto que o maior rei do mundo era Satanás, colocou-se a serviço deste, mas descobriu que o verdadeiro era Nosso Senhor. Um ermitão mostrou-lhe que a bondade era a coisa mais agradável ao Senhor.
São Cristóvão resolveu trocar a sua mania de grandeza pelo serviço aos semelhantes. Valendo-se da imensa força de que era dotado, pôs-se a baldear pessoas, vadeando o rio. Uma noite, entretanto, um menino pediu-lhe que o transportasse à outra margem do rio.
À medida que vadeava o rio, o menino pesava cada vez mais às suas costas. Diante de seu espanto, o menino lhe disse: “Tiveste às costas mais que o mundo inteiro. Transportasse o Criador de todas as coisas. Sou Jesus, aquele a quem serves.†(Fonte: internet)