Ele é o policial com mais tempo de serviço na base operacional da Polícia Rodoviária de Bauru, localizada às margens da SP 300 (rodovia Marechal Rondon). Dos seus 47 anos de vida, o cabo Manoel Euclides Minhano já dedicou 27 deles à tarefa de zelar das estradas da região.
E ao contrário do que muitos poderiam supor, ele se aproxima da aposentadoria com uma disposição de dar inveja àqueles que estão iniciando a carreira. “Me sinto um jovem trabalhando e não fico contando os dias para me aposentar. Para mim ser guarda é tudoâ€, considera Minhano. E acrescenta: “Quando penso que está se aproximando a data da aposentadoria, acho que ainda está cedo. Tenho muito o que fazer nesses anos restantes.â€
A paixão de Minhano pela farda cinza-escuro começou quando ele era adolescente. Na época, o seriado Vigilante Rodoviário fascinava o então jovem, que sonhava com a possibilidade de um dia ser igual ao protagonista da série. “Não perdia um filme dele e alimentava esperança de um vestir a farda e trabalhar na rodoviaâ€, conta ele.
Minhano veio para Bauru em 1977, data da formação do 2.º Batalhão Rodoviário. Ele conta que já chegou experiente na cidade, pois logo no início da profissão havia trabalhado três anos nas rodovias próximas a São Paulo, onde efetuou um “estágio forçadoâ€. “Mesmo quando era novo na polícia já havia atendido vários acidentes na Anchieta-Imigrantes e na Mogi-Dutra, estradas movimentadas e perigosasâ€, diz.
Minhano também sempre gostou de dirigir e, por isso, cuidava com extremo zelo das viaturas policiais. “Não deixava ninguém relar nela. Era como se ela fosse minha e tratava-a melhor que meu veículo. Era um xodóâ€, admite o policial, que atualmente integra o Tático Ostensivo Rodoviário (TOR).
Fatos marcantes
Durante os quase 30 anos de carreira não faltaram fatos, nem sempre felizes, que ficarão guardados para sempre na memória do policial rodoviário. O mais marcante deles foi um acidente ocorrido há cerca de dois anos, envolvendo trabalhadores rurais na rodovia Bauru-Jaú, que resultou na morte de quase 20 pessoas.
“Nossa viatura foi a primeira a chegar no local, que mais parecia um cenário de guerra com as pessoas desorientadas e pedindo socorro. Foi uma cena horrível que espero nunca mais presenciarâ€, relembra Minhano. E complementa: “O que mais choca é chegar nos locais de acidentes e ver crianças que não sabem o que fazer, pedindo socorro ou, às vezes, mortas.â€
Entretanto, nem só de lembranças ruins vive um guarda rodoviário. “Dizem que somos heróis anônimos. Várias pessoas que ajudamos vieram nos visitar, fato que não é divulgado, mas que nos enche de satisfação e nos encoraja a trabalhar com ainda mais afincoâ€, afirma Minhano.
“Jeitinhoâ€
Como em toda profissão, sempre há as passagens engraçadas e curiosas. Para escapar das “canetadas†dos guardas, os motoristas arranjam as mais variadas desculpas. “Muitos inventam que estão doentes ou falam para a mulher fingir que está passando mal e as crianças chorarem. Às vezes as pessoas tremem e se desconcertam totalmente, chegando até a ficar com vontade de urinar e ir ao banheiroâ€, destaca Minhano.
Outros condutores contam histórias mirabolantes. “As mais comuns são aquelas que tem de ir ao juiz para uma audiência ou que a mãe está internada e, por isso, precisava correr na estradaâ€, lembra o policial, rindo. “Por isso, quando autuo, me sinto até gratificado, pois sei que de uma maneira ou de outra estarei ajudando os motoristas a se conscientizarem dos errosâ€, enfatiza ele.
Perfil
• Nome Manoel Euclides Minhano
• Idade 47 anos
• Profissão Policial rodoviário
• Hobby
“Quando podia, jogar futebol. Agora curto mais uma chácara, sair com os amigos, bater um papo e churrasco.â€
• Time do coração Corinthians
• Lugar para passear Camboriú, Barra Bonita e Poços de Caldas
• Carro dos sonhos
â€œÉ aquele que posso ter, como meu Palio e uma Chevy. Mas admiro BMWs e Audis.â€
• Quem você levaria no porta-malas da viatura ou do carro da família?
“Os traficantes, que estão prejudicando as crianças e adolescentes do País. Muitas vezes vemos pessoas completamente perdidas na vida por causa deles.â€
• Quem você faria questão de levar como passageiro?
“A família e os amigos sempre estão em primeiro lugar, mas admiro o papa João Paulo II. Se pudesse, o levaria para qualquer canto.â€
• O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?
“O trânsito em Bauru é complicado e às vezes comento com meus amigos e familiares que é mais fácil dirigir em São Paulo do que aqui. Ao andar à noite em Bauru às vezes passo nervoso com a juventude local. Em avenidas, principalmente a Getúlio, o trânsito fica parado e não há respeito para as pessoas que não estão se divertindo como eles.â€
• Que nota você daria aos motoristas bauruenses? Cinco.
A série
Logo que a televisão brasileira surgiu, viu-se a necessidade de nacionalizar a programação, já que todas as séries exibidas eram estrangeiras. A primeira experiência da TV tupiniquim com produção de séries foi com Alô Doçura, ainda na década de 50. Mas o que o público queria era uma atração com aventura, ação e, acima de tudo, uma produção nacional.
Para suprir esta necessidade uma equipe se reuniu e criou, em 1958, um herói nacional inspirado na Polícia Rodoviária. Foi assim que surgiu o esqueleto para uma das séries de maior sucesso da televisão brasileira: O Vigilante Rodoviário. Depois de mais algumas reuniões discutiu-se a necessidade deste vigilante ter um parceiro. Foi aí que surgiu o cão Lobo.
A partir daí começaram a fazer um planejamento de quantos episódios a série teria. Mas para conseguir o patrocínio da série foi preciso a gravação de um piloto, que foi rodado em 1959, em Santos, batizado de Diamante Gran Mongol. Com ele em mãos, logo a empresa Nestlé do Brasil decidiu patrocinar o programa, que entrou no ar apenas em março de 1961.
O Vigilante Rodoviário era exibido às quartas às 20 horas. No Rio de Janeiro, era apresentado às quintas, no mesmo horário, após o Repórter Esso. Dos 39 episódios previstos, foram filmados 38, já que em 1962, devido a uma mudança na diretoria da Nestlé, a empresa decidiu não mais arcar com as despesas da série.
A série era dirigida por Ary Fernandes e produzida por Alfredo Palácios e serviu para lançar grandes nomes como Ary Fontoura, Ary Toledo, Juca Chaves, Fulvio Stefanini, Milton Gonçalves, Rosamaria Murtinho e Stênio Garcia, entre outros. (Fonte: site www.prudenet.com.br)