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Hóspedes rendem histórias em hotéis

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

Hábitos alimentares pouco comuns, horários, equívocos, esquecimentos, excessos de vaidade e até medos povoam os livros de história registrados na memória de proprietários e funcionários de hotéis.

Em Bauru, muita coisa já aconteceu nos lobbies, quartos, restaurantes, elevadores, escadarias e até garagens dos hotéis.

A telefonista Geni Lopes Andrade, há seis anos no setor hoteleiro, já perdeu a conta de quantos hóspedes a procuraram para conhecer a dona da voz que os despertava todas as manhãs ou agendava e transmitia todos os recados durante a estada. Mas ela não se esquece de um senhor que para conseguir despertá-lo tinha que ligar inúmeras vezes.

“Eu começava a ligar e falar ‘bom dia’ às 7h, depois às 7h15, de novo às 7h30 e continuava de 15 em 15 minutos até 8h ou às vezes, 8h30, quando finalmente ele acordava e descia para o café”, revela. Entretanto, mesmo com todo o ritual, o hóspede nunca reclamou. Aliás, segundo a telefonista, era ele quem pedia o tempinho de sono extra.

Geni trabalha no Obeid Plaza desde a inauguração do hotel e afirma que é possível determinar uma característica comum entre os hóspedes, em sua grande maioria profissionais de saúde, congressistas e atletas, além de profissionais que vêm à cidade a trabalho: “Todos querem ser tratados igual ou melhor que na casa deles”. Também diz que, com o tempo e freqüência, todos os recepcionistas já sabem os gostos e exigências de cada um. “Tem hóspede que só quer um apartamento se tiver vista para a avenida (Nações Unidas)”.

Ela conta que episódios engraçados ocorrem principalmente no final do ano com as festas e bailes de formatura. â€œÉ rotina o pessoal chegar e esquecer o apartamento ou vir reclamar que a chave não abre determinada porta. Muita gente também erra de hotel.”

Galeria da fama

Um american bar decorado por autógrafos de grandes nomes da música, do teatro, da televisão e das passarelas. Quem inaugurou as paredes da fama do Saint Paul Residence foi o cantor Djavan, que já se hospedou por lá três vezes.

Ao seu lado está o autógrafo de Beth Carvalho, mas a Feiticeira, Leonardo, os Titãs, Edson Celulari, Christiane Torloni, Capital Inicial, Zeca Pagodinho e muitos outros já deixaram marcas e provocaram os hóspedes comuns. “Eles também querem um espaço para dar autógrafos”, afirma a proprietária do hotel, Heloísa Crivelli, que afirma estar providenciando o novo painel.

O apoio e as parcerias foram as formas encontradas pelo hotel para incentivar a cultura na cidade. O resultado é que se transformou na casa dos artistas em Bauru. E altas histórias não faltam para contar.

Heloísa aponta que o estrelato traz atitudes surpreendentes, sejam nos hábitos dos astros ou atitudes dos fãs. Ela revela que tietes de todos os poderes aquisitivos chegam a se hospedar no hotel dias antes de seus ídolos para poder ficar perto deles, muitas dizem fazer parte da equipe ou se apresentam como fisioterapeutas e enfermeiras contratadas pela produção dos shows. Ela cita uma senhora de 75 anos, a dona Olinda, assumidamente a fã mais idosa do sertanejo Leonardo, que se hospedou no ano passado no mesmo andar que o cantor. Entretanto, por uma exigência da produtor, só ocupariam o andar o secretário, o segurança e o próprio Leonardo.

“Com um jeitinho, nós chegamos até ela e pedimos para transferi-la de quarto. Ela topou, com a condição de poder entrar no quarto do cantor quando ele fosse embora. Aí ela cheirou toalhas e lençóis, acariciou travesseiro, jogou beijo, pagou a conta e foi para casa feliz.”

A hoteleira revela que em outra situação, uma fã de um dos músicos da banda mineira Pato Fu chegou ao hotel uma semana antes do grupo e tentou comprar todos os funcionários. Quando o rapaz chegou, a moça andava pelas escadas de incêndio para não ser vista por ele, que contou aos funcionários que é sempre assim: a moça tem alto poder aquisitivo e acompanha todas as viagens do grupo.

Muito assediados também foram os irmãos da Família Lima e a turma do Charlie Brown Jr. “Mas teve fã que rasgou o convite quando o vocalista (Chorão) pegou um skate e foi andar com uma moçada numa pista da cidade”, se diverte Heloísa.

Surpresas

Alguns pedidos gastronômicos também surpreendem os hoteleiros. A cantora Rita Lee adora omelete sem gema, só com claras e especiarias. Já o modelo-ator Claudio Heinrich, avisando ser naturalista, chegou ao hotel pedindo frutas e cereais . Mas após o desfile que participou pediu um lanche quente feito com pão de centeio, banana, queijo fresco e canela em pó, acompanhado de carpaccio (que é preparado com carne vermelha e crua).

Mas surpreendente mesmo foi o comportamento 100% exemplar de todos os integrantes da banda Planet Hemp. “Nós estávamos até com receio, porque falaram que o pessoal era da pesada. Mas foram os mais simpáticos e educados que passaram por aqui. Sempre atenciosos com todo mundo”, confessa a hoteleira.

Mas nem tudo é festa. Heloísa revela que uma atriz global não apertava nem os botões para chamar o elevador e não entrava sem que antes tirassem o carpete. Também fazia questão de usar lençóis, toalhas, cobertores e bichos de pelúcia que trazia na bagagem. Não tirou os óculos escuros e não foi das mais simpáticas.

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