Há dois anos trabalhando no Quality Suites Garden, o recepcionista Renan Mendes Ruiz conta que passou por apuros quando um hóspede chinês, que falava inglês com sotaque oriental, queria trocar uma peça da impressora de seu computador. “Levou quase uma hora para a gente conseguir se entenderâ€, relembra.
Ele não esquece a ira de um sertanejo que ficou nervoso com o assédio das fãs que conseguiram furar a segurança e invadir a garagem do hotel. Também considera inesquecível o telefonema pedindo socorro de três hóspedes, pai e dois filhos adolescentes, com medo de uma borboleta que entrou no quarto após terem deixado a janela aberta.
Como o hotel atende a muitas empresas e mantém convênio com montadoras e multinacionais, estrangeiros estão sempre pelos corredores querendo fazer amigos brasileiros.
“No final do ano passado, estávamos comemorando as metas alcançadas quando um hóspede holandês invadiu a festa dos funcionários. O gerente lhe ofereceu caipirinha e ele achou a melhor bebida do mundo. Era um engenheiro, mas mascava fumo. De tão feliz que ele ficou em participar da nossa festa, deu presentes para todo nós, principalmente as latinhas de fumo. Eu ganhei cinco.â€
Renan admite que se cada funcionário de hotel anotasse todas as histórias já teriam escrito livros muito divertidos.
Objetos esquecidos
Os carregadores de telefone celular são os objetos mais esquecidos pelos hóspedes nos quartos de hotel em Bauru.
Sapatos, pastas de documentos, agendas, canetas, telefones e bijouterias vêm na seqüência.
Mas por mais incrível que possa parecer, já foram registrados casos de esquecimento de bagagens inteiras, valises com teses e documentos, e todas as roupas penduradas nos cabides.
A medida adotada pelos estabelecimentos é registrar e guardar tudo, por um ano (tempo estabelecido pelo código de ética da categoria). Em caso de objetos de maior valor, como jóias, o tempo sobe para cinco anos.
Geni Andrade, conta que no Odeid Plaza existem objetos deixados há quatro anos. Já Heloísa Crivelli revela que a ordem no Saint Paul é guardar até vidros de xampu com um restinho de produto no fundo da embalagem.
Há sempre um contato telefônico por parte do hotel ou do hóspede notificando a perda. A devolução dos objetos na maioria das vezes se dá pelo correio ou no retorno do hóspede, que muitas vezes até quer deixar “uma certa mudança†no hotel porque vai voltar em breve e não quer se dar ao trabalho de ficar carregando.