Recentemente o Jornal da Cidade abriu espaço abordando dois graves problemas que assolam os centros urbanos, as cidades de um modo geral e o próprio País: a violência e o menor de rua, ambos profundamente ligados, um decorrente do outro. A Cáritas Diocesana, de acordo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), empenha-se no mutirão contra a fome, desenvolvendo estudos e campanhas para minorar o problema cada vez mais desafiador. O padre Claudemir, na edição de 15/7, analisando o problema, aponta perspectiva de solução políticas, isto é, para que além das campanhas sejam discutidas as causas da fome e as formas mais eficazes de combatê-la. Historicamente, outros religiosos já o fizeram. O Papa João XXIII com as encíclicas “Mater Et Magistra†e “Populorum Progressio†denunciou, corajosamente, as estruturas iníquas do capitalismo, cujo modelo de organização social não conseguiu e não consegue superar as injustiças que lhe são inerentes, a perversa concentração da riqueza e as demais contradições do sistema historicamente superado. No dia 17/7, o JC aborda o problema do menor de rua que, no sinaleiro da esquina, suplica uma moeda para mitigar a fome. O menor que, amanhã, de “três oitão†em punho, poderá pedir o carro, a carteira e a própria vida. Este não é um problema somente de Bauru. Já pude constatá-lo por diversas cidades onde passei, estudando e trabalhando. Foi assim em Ribeirão Preto, aqui em Bauru, em São Paulo e Brasília. Muitas cidades de pequeno, médio e grande porte se encontram na mesma situação e, o que é pior, de forma crescente. Por que será? E mais. Tive a oportunidade de ver com os próprios olhos que na cidade de Nova York (EUA), é a mesma coisa. A ilha de Manhattan, centro financeiro do mundo, com suas maravilhas turísticas e culturais, porém cercada dos mesmos problemas acima citados, nos bairros do Brooklin, Harlem entre outros. Portanto são problemas mundiais e de origem histórica. Acredito, cada vez mais, que o velho Marx estava certo quando previu que este sistema Capitalista, agora chamado Neo-Liberal, viria por água abaixo. Seria bom lermos O Capital, de Karl Marx, sempre atual. Não sou pessimista, acredito em mudanças, desde que consistentes e transformadoras. Espero que o socialismo não fique apenas no sonho e nem apenas nomes de legendas partidárias (PSB, PPS e outros que se dizem socialistas, até mesmo o PT). Sonho com novas experiências socialistas, porém diferentes das que já ocorreram, que penso não haverem dado certo, pois foram implantadas através de regimes autoritários. Meu sonho é o socialismo democrático que há de ser possível. Estas mudanças, para se concretizarem, devem ocorrer em âmbito mundial, neste mundo globalizado que não permite o isolamento. Por isso, minha opção de voto está fundamentada em aspectos ideológicos. Sinceramente, das opções colocadas nesta eleição, inclusive a minha, nenhuma delas assume característica verdadeiramente socialistas, porém analisando-as, vejo um “suspiro†de socialismo, expresso pelo PT. Finalmente, acredito que grandes mudanças não ocorrerão de imediato, pois problemas históricos e ideológicos não são solucionados em poucos anos. E como dizia o saudoso Raul Seixas, “Razão todo mundo tem, o ponto de vista é que é a questãoâ€. (Célio Daibem - fisioterapeuta - RG 28.173.032-5)
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