Os laudos relativos às análises de amostras de terra, água e sedimentos de rio coletadas nas proximidades do Setor Metalúrgico da Ajax, empresa suspeita de contaminar o meio ambiente por chumbo, estão prontos, mas ainda não foram divulgados para a imprensa.
Os resultados dos laudos foram entregues anteontem à noite à Vigilância Sanitária da Direção Regional de Saúde (DIR-10), segundo Rogério Chini, gerente da Agência Bauru da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
De acordo com Chini, os laudos foram entregues à diretora da Vigilância Sanitária da DIR, Maria de Lourdes Soares Pereira, que viajou para São Paulo ontem. Na DIR, a assistente técnica do órgão, Shirley Alonso Mendes, disse que desconhecia que os laudos haviam chegado.
Ela revelou que há dias espera o material, mas que não sabia dos resultados. Shirley explicou que a diretora da Vigilância Sanitária foi a São Paulo, ontem, para participar de uma reunião sobre a suspeita de contaminação por chumbo em Bauru.
O JC tentou contatar a diretora da Vigilância Sanitária em São Paulo para falar sobre os resultados dos laudos, mas não conseguiu. Na DIR, a informação é de que ela retornaria a Bauru apenas na madrugada.
O gerente da Cetesb de Bauru, como já havia informado que iria proceder, não quis revelar os resultados dos laudos antes da DIR pronunciar-se sobre o assunto. “A divulgação, como havia sido combinado, será feita pelos órgãos de saúdeâ€, diz.
As análises foram feitas pelo laboratório da Cetesb em São Paulo. A previsão inicial do órgão era concluir a análise dentro de 30 dias, mas foram gastos mais de dois meses. Os resultados são esperados com expectativa porque serão usados como base para definir se há necessidade de intervenção na área e se as medidas que estão sendo adotadas são as corretas.
O Setor Metalúrgico da Ajax está interditado pela Cetesb desde fevereiro por suspeita de contaminação por chumbo. Desde a interdição, 274 crianças e uma gestante que passaram por exame de sangue apresentaram alteração para o chumbo. Todos estavam com mais de dez microgramas do metal por decilitro de sangue, limite considerado tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
O vereador José Humberto Santana, que preside a Comissão Municipal de Saturnismo, formada para acompanhar a investigação da suspeita de contaminação, ressalta que há controvérsia sobre a partir de qual concentração o chumbo representa risco.
Paralelamente à análise feita pela Cetesb, a Polícia Civil está investigando a suspeita de contaminação ambiental por chumbo. O inquérito está correndo pelo 4.º Distrito Policial, sob a responsabilidade do delegado Dinair José da Silva. Ele diz que aguarda resposta a alguns ofícios e os resultados dos laudos para concluir o inquérito.