Bairros

DIR faz mistério com laudos do chumbo

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Depois de mais de dois meses de espera, os laudos relativos às análises de amostras de terra, água e sedimentos de rio coletadas nas proximidades do Setor Metalúrgico da Ajax estão em Bauru. Porém, a Direção Regional de Saúde (DIR-10), órgão que solicitou as análises e está com os resultados desde segunda-feira à noite, ainda não os divulgou à imprensa.

O JC tentou, por várias vezes, saber os resultados através dos diretores da DIR, ontem. A informação, passada por secretários, foi de que a diretoria não estava e que será marcada uma entrevista coletiva, possivelmente para hoje, para a divulgação dos laudos à imprensa.

O vereador José Humberto Santana (PV), que é presidente da Comissão de Saturnismo, formada para acompanhar a investigação de suspeita de contaminação por chumbo na cidade, também tentou obter os resultados dos laudos, mas não conseguiu. Há dias, ele enviou ofício à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), órgão que fez as análises, solicitando cópias dos laudos.

A Cetesb respondeu o ofício afirmando que ele receberia as cópias, mas até ontem à tarde os resultados não haviam chegado. Ele, que desde o início da suspeita de contaminação criticava a demora na realização das análises, afirma que continuará cobrando os resultados dos laudos.

O vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), que é membro do Instituto Ambiental Vidágua, organização não-governamental que fez a denúncia de contaminação por chumbo, também tentou obter os resultados, mas não obteve êxito. Rodrigo procurou a Cetesb ontem, mas não conseguiu cópias dos documentos.

O gerente da Agência Bauru da Cetesb, Rogério Chini, como havia informado anteriormente que procederia, passou para a DIR a responsabilidade pela divulgação dos laudos.

Os resultados são esperados com expectativa porque serão usados como base para definir se há necessidade de intervenção na área e se as medidas que estão sendo adotadas são as corretas. Desde a interdição, 274 crianças e uma gestante que passaram por exame de sangue apresentaram alteração para o chumbo.

Todos estavam com mais de dez microgramas do metal por decilitro de sangue, limite considerado tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A Ajax também ainda não foi informada dos resultados dos laudos.

A assessoria de imprensa da Ajax afirma que a empresa tem interesse em que os resultados sejam divulgados logo e que os aguarda com tranqüilidade, uma vez que as análises feitas por outros dois órgãos, não oficiais, não apontaram contaminação.

Interditado desde o final de fevereiro, o Setor Metalúrgico da Ajax está fora de operação. Porém, de acordo com a assessoria de imprensa da empresa, a produção de bateria, continua na unidade do Distrito Industrial.

A única alteração é que a matéria-prima produzida no setor interditado agora está sendo comprada de outras empresas. Os cerca de 100 funcionários do setor metalúrgico foram remanejados para a unidade do Distrito Industrial, segundo a assessoria.

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