No setor comercial, empresas que trabalham com produtos importados já sofrem com as sucessivas altas do dólar. Marcos Faria de Moraes, proprietário de uma loja que comercializa microcomputadores e suprimentos de informática, diz que a crise econômica já está afetando seus negócios há cerca de dois meses. A média de dez máquinas que ele vendia até maio, em junho caiu para uma venda concretizada por mês.
Segundo o empresário, os valores finais dos computadores não mudaram muito. Em contrapartida, os preços dos suprimentos já tiveram alta variando de 11% a 20% para o consumidor final.
“Eu já não estou mais conseguindo pagar em dia alguns fornecedores e também precisei cortar o pagamento em 30 dias que eu oferecia aos clientes. Agora, tem que ser tudo à vista. Nossas vendas caíram demais e eu não tenho boas perspectivas. Na minha opinião, a situação tende a piorar até as eleições, porque há muita insegurança no mercadoâ€, avalia Moraes.
O gerente de uma loja especializada na comercialização de aparelhos eletroeletrônicos e eletrodomésticos, Marcos Antônio Borges, diz que a rede para a qual trabalha ainda está aguardando um posicionamento de seus fornecedores, em relação a valores. Mas ele afirma que a orientação, bem como a meta da empresa, é de não repassar aumento de preços ao consumidor final durante o tempo possível.
“As indústrias estavam trabalhando com uma previsão de que o dólar pudesse ficar na casa dos R$ 2,80. Agora, com a nova cotação, certamente haverá mudança nos preços ao consumidor, mas ainda não recebemos nenhuma orientação por parte da matriz. O certo é que tentaremos absorver ao máximo as elevações de custo. Por enquanto, ainda não sentimos retração no consumoâ€, afirma o gerente.