Um grupo de camelôs de Bauru fez um protesto em frente à prefeitura, ontem pela manhã, contra os critérios adotados pela Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) na seleção dos ambulantes e na distribuição de pontos-de-venda. Os manifestantes querem que o número de pontos de trabalho nas ruas, estipulado pela Seplan, seja ampliado.
Eles também são contra a mudança de local de trabalho, o que pode ocorrer em função da seleção dos ambulantes por pontuação. A titular da Seplan, Maria Helena Rigitano, diz que os critérios de seleção dos ambulantes foram discutidos com representantes da categoria e que nenhum recurso foi impetrado.
Fabrício Genaro, um dos insatisfeitos e integrante da comissão Pró-Organizadora dos Trabalhadores de Rua de Bauru, afirma que a forma de distribuição de pontos adotada pela Seplan está colocando um camelô contra o outro. “Eles retiram um trabalhador de um local e colocam outro. Ninguém está satisfeito com issoâ€, diz.
Ele conta que a passeata, que começou na Praça Machado de Mello, foi realizada para pressionar a prefeitura a rever a forma de distribuição dos pontos. “A passeata é para pedir uma revisão neste ponto. Temos que analisar a situação de todos e rever o critério de pontuaçãoâ€.
A ambulante Ezilda Helenice F. Couto é outra insatisfeita com a situação. “Ocupo o mesmo espaço há 14 anos. Não quero deixá-lo. Lá sou querida pelos comerciantes. Preciso trabalhar. Consegui 100 pontos na classificação da Seplan. Mas não concordo com a mudança de lugarâ€, reclama.
Como o ponto explorado por Ezilde foi escolhido por um camelô com maior pontuação, ela escolheu outro. “O problema deste outro pronto é que o gerente da loja da calçada onde ficarei não quer camelô lá. Vou começar tendo problemas. Não vou trabalhar sossegadaâ€, acredita.
Dulce de Castro, outra ambulante, também não concorda com o critério de distribuição de pontos. “Não aceito ser tirada do local que já trabalhava. Estou na quadra 5 da rua 1º de Agosto, paredão do antigo Banespa. Com a distribuição, fui para a quadra 4 da rua 13 de Maioâ€, conta.
Atestado criminal
Uma das exigências da Seplan na seleção dos ambulantes era o atestado de antecedentes criminal. Muitos deles, segundo Maria Helena Rigitano, não entregaram o documento porque não concordam com o processo.
Ela afirma que não pretende alterar o método de distribuição de pontos. “Só se tiver mudanças na lei. A lei foi discutida com todos os envolvidos. Eles concordaram e não recebemos nenhum recursoâ€, informa.