No consenso do grande público, representado pela maioria dos transeuntes, os clássicos departamentos municipais de trânsito não deveriam instituir, em sistema nenhum, em artérias públicas centrais ou aproximadas, as vias que têm a classificação de “expressasâ€. E tem muita razão o consenso, pois por quê se implantar esse tipo de artérias se não existem, entre um e outro ponto das cidades, distâncias fabulosas que exijam uma caminhada veloz ou velosissima dos veículos? Por quê - voltamos a perguntar, continuando - em suas andanças nos tais caminhos necessitam os caminhões, ônibus, automóveis e motos trafegarem em arriscadas disparadas, tendentes a estraçalharem os ventos ambientes, como que desejando preveni-los de que “devem sair da frente porque atrás vem gente?â€
É evidente que não, até mesmo quanto à turma que se destina a outras localidades, do que somos testemunhas pessoais por situar-se o nosso modesto “chatô†em uma das tais “vias expressas†e, por isso, nosso acesso ao seu portão, dificultado pelos veículos em perceptível aposta de corrida, é quase sempre extremamente penoso, mais difícil até que avião querendo aterrissar em campo de neblina. Invade-nos, então, a opinião de que deveriam os departamentos pensar mais longe e evitarem os exageros dos velocistas, que favorecem a eles, sem dúvida, ajudando-os a diminuir o tempo de suas locomoções urbanas, mas infelizmente os sujeitam a acidentes de todas as proporções, com danos vultosos nas viaturas e mortes em ambos os lados e até em terceiros, isto e aquilo por todos os títulos tristes e lamentáveis, mas que podem ser evitados se as cabeças pensarem com mais sensatez. Segundo os meios de comunicação, relatando projetos em franco estudo e ansiado desejo, alguma coisa já vêm fazendo os departamentos para conter a volúpia, tais como melhor distribuição dos semáforos existentes e instalação de novos.
Contudo, unicamente isso não basta para dar segurança aos transeuntes, que nem sempre carregam nas pernas desenvoltura suficiente para chegar incólume ao outro lado das arriscadas artérias, principalmente as “expressasâ€. Portanto, ponham-se na frente, corajosamente, senhores dirigentes do setor, e coloquem as avenidas cumprindo melhor o seu importante papel viário. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)