É comum os casais "casados" se afastarem do sexo, atualmente. Qualquer pessoa pode exemplificar pelo menos um caso de parceiros que já não vivem como marido e mulher. Nem de longe esta pode ser considerada uma relação saudável já que os casais que vivem sem sexo certamente não são felizes, acabam se distanciando e, em muitos casos, se separando.
Sabe-se que o número de divórcios e separações está aumentando e mais: que casamento infeliz e mal resolvido faz mal à saúde.
Para a psicóloga Magdalena Ramos, as diferenças entre homens e mulheres são muito mais do que fisiológicas. A começar pelo diálogo: mulheres adoram discutir a relação; homens detestam. â€œÉ clássico: as mulheres insistem em falar e os homens ficam irritadosâ€. A forma de resolver os problemas sentimentais também é inversa. Há quem diga que o silêncio causa mais estragos do que uma boa briga.
Enquanto a solução feminina está na palavra, a masculina está no sexo. “Os homens preferem virar a página e resolver os problemas na cama. As mulheres optam pelo diálogoâ€, compara.
Nem a revolução sexual foi capaz de nivelar os ideais de homens e mulheres na cama. “As mulheres continuam sonhando com sexo com amor. Para os homens, sexo não precisa estar, necessariamente, ligado à afetividadeâ€, compara a psicóloga. Ela admite que pregou durante dez anos a necessidade do sexo atrelado ao amor, para que o casamento realmente desse certo. Hoje, mudou de idéia. “Nos anos 90, os especialistas perceberam que isso não é uma verdade absoluta. Sexo é uma forma de energia bárbara e amor é outraâ€.
A prova de que amor e sexo são dois compartimentos diferentes está no comportamento de muitos casais. A psicóloga revelou que já atendeu parceiros que brigam como loucos e continuam transando. Até se divorciam, mas continuam mantendo relações sexuais. O inverso também acontece – e não é nada incomum – segundo a especialista. Casais que não discutem, mas também não mantém relações sexuais. “Casamento sem sexo existe. É como uma relação de amizadeâ€, diz Magdalena. As queixas de falta de desejo pelos parceiros são constantes nos consultórios. Uma verdadeira confusão. Só para recapitular: existe amor com sexo; amor sem sexo; e só sexo. Mas será que dá para viver sobre o mesmo teto com o cônjuge e não transar? A resposta de especialistas é sim. Para a psicóloga, o sexo é só um dos itens do casamento. “Costumo dizer que o sexo não faz nem desfaz uma relaçãoâ€. Ela garante que as mulheres não enlouquecem, nem enfrentam nenhum tipo de distúrbio psíquico se ficarem muitos anos sem transar. Mesmo assim, relação sexual ainda é algo que pesa – e muito – no casamento. “Casais que não transam se sentem anormais e esquisitosâ€, diz a psicóloga. Também não adianta nada forçar. Quando sexo se torna obrigatório, pode até afastar o desejo. “O importante é saber a forma de dizer nãoâ€, explica Magdalena.
Para Divina Maria da Silva Martins, 69 anos, e Ermelindo Inácio Martins, 75 anos, não há problemas. Os dois se entendem muito bem e estão felizes com a vida que levam hoje em dia. “Nós somos muito companheiros e sempre tivemos um bom relacionamento, resolvendo os problemas com calma e tranqüilidadeâ€, afirma Divina.
Como Martins operou do coração, eles não se cobram muito quando o assunto é sexo, mas os dois estão em acordo: quando um quer, o outro também quer.
Divina conta que o sexo já não é tão importante quanto antes, mas que acontece e é bom. Os dois pensam da mesma maneira. “Mantemos relação sexual mais ou menos de 15 em 15 dias, mas isso já não é tão importante. O que mais prezamos no nosso relacionamento é que temos cinco filhos maravilhosos que foram feitos com muito amorâ€, diz.
Eles se casaram em março de 1950 e, desde então, sempre souberam superar os problemas e as crises e vivem bem até hoje. Viajam juntos e curtem a vida como podem.
Rotina
“Todo dia ela faz tudo sempre igual (...)â€. A música de Chico Buarque ilustra muito bem o que acontece em quase todos os relacionamentos. A rotina começa no momento em que a paixão acaba. E nem o sexo escapa. “Vira 1,2,3 – Bingo. Entre um comercial e outro, no sábado a noiteâ€, brinca a psicóloga Magdalena. Para tentar fugir do marasmo, o ideal é estimular o espaço a dois e abusar da criatividade. Vale tudo para tentar afugentar o estresse que destrói qualquer relacionamento. “Hoje, os casais trabalham como loucos, fazem academia, jantam e caem exaustos na camaâ€, afirma.
Desejo: dá para recuperar
Para Magdalena, o sexo no casamento pode ser visto como uma benção ou uma maldição. Benção quando representa uma troca de prazer numa relação; maldição quando os cônjuges enfrentam o drama da falta de desejo. “Queixas sobre falta de desejo pelo parceiro é o que mais se ouve nos consultórios. Se você nunca sentiu, nunca vai ter. Se perdeu, há como recuperarâ€. O fato é que não existe nenhuma pílula mágica para o problema.
Exceção
Casamentos que duram décadas já são verdadeiras raridades, segundo a especialista. Em salas de aula com crianças com idades entre 5 e 6 anos são raros os casos de pais que vivem juntos. “As pessoas não aprenderam a brigar e ‘desbrigar’. É preciso saber negociar. Senão, não há casamento que resistaâ€, diz a psicóloga.
Cada um na sua casa
Casas separadas, vidas conjuntas. Essa pode ser a opção para quem quer manter a privacidade, mas não abre mão do casamento. â€œÉ uma possibilidade para quem quer acabar com parte dos problemas ligados às diferenças de personalidade e a rotina. Morar em casas separadas elimina a parte chata do relacionamentoâ€, diz a psicóloga. Na opinião da especialista, o casamento em casas separadas já existe e será uma possibilidade para futuros casais que querem evitar conflitos.
Fonte:www.terra.com.br/jornaldalilian