Tribuna do Leitor

Tragicomédia Nacional


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A comédia tem três atos, o que não a distingue de tantas outras. Mas, ao contrário das outras, não faz rir... só faz chorar !

1º ato - Nos últimos 35 anos, mediante enorme esforço e grande volume de investimentos e segundo a contínua afirmação de suas principais autoridades energéticas, o Brasil conseguiu chegar perto da suficiência na produção de petróleo, de tal sorte que, segundo as mesmas fontes cerca de 80 a 85% do combustível utilizado no país se origina em fontes próprias, restando de 15 a 20% que necessita de importação. Como se sabe, importações de petróleo são pagas em dólar, já a produção nacional, evidentemente que não. Este primeiro ato se encerra com uma perguntinha incômoda, verdadeira pulga na orelha : se o país produz 80% do petróleo que consome porque a alta do dólar tem de encarecer tanto e sempre os combustíveis ?

2º ato - A moeda vigente no Brasil é o real. E tem como sua divisória o centavo de real. Um real se divide em 100 centavos. Por conseguinte, não há qualquer fração de moeda inferior a 1 centavo (R$0,01). Nova e incômoda perguntinha : o que faz o 0,009 no preço de todos os combustíveis ? Mero exercício de Aritmética informa que a cada 1.000 litros vendidos o estabelecimento de venda de combustível se apropria (é bem este o termo) de R$9,00 essencialmente ilegais.

3º ato - Os proprietários de postos de abastecimento de combustível “deitam e rolam” nos preços, cartelizando-os quando desejam, no que parece são muito bem assessorados pelo seu sindicato. Há alguns meses houve algum movimento nos meios jurídicos para punir esta cartelização. Nas últimas semanas, porém, verificou-se que unanimemente todos os estabelecimentos igualaram seus preços e, fato inédito, passaram a entender o pagamento com cartão de crédito como não sendo “à vista” , o que contraria toda uma tradição. E nem digo, neste caso, que se trata de ilegalidade porque não pesquisei ainda a respeito. O consumidor que pagar em dinheiro ou com cheque, ou com cartão de débito, paga o preço chamado “com desconto”. Aquele que fizer uso do cartão de crédito paga o preço “sem desconto”. Ao vencedor as batatas, ao consumidor as baratas...

Tenho a certeza que esta comédia dificilmente terá um epílogo. É mais provável que se multiplique em diversas outras sub-comédias neste País do Carnaval, onde o consumidor, malgrado o CDC, continua sendo tratado como ator figurante que, pintado de verde, se finge de árvore confundindo-se com o cenário. (Marco Antônio de Souza - OAB/SP 55.799)

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