Criar peixes nas águas do rio Pinheiros parece uma missão impossível. Mas o Projeto Pomar incorporou a idéia e está obtendo sucesso desde fevereiro deste ano, quando foram colocados centenas de peixes em um tanque abastecido com a água do rio e os alevinos (filhotes) vêm crescendo.
São 200 tilápias vermelhas e 150 pacus, além de 600 alevinos de tilápias vermelhas nascidas desde o início do experimento, que já pode ser considerado um sucesso.
O projeto de monitoramento de água e peixes com a água do Pinheiros, tratada nas estações de flotação do Pomar, tem como objetivo mostrar a viabilidade da criação de peixes com essa água antes poluída.
O experimento é realizado na margem esquerda do rio, nas instalações da Estação Elevatória de Traição, onde funciona a estação de tratamento para irrigação do Pomar, um projeto que também possui outras iniciativas ecológicas.
Na flotação, as microbolhas de ar formadas na parte mais profunda da água sobem, por serem menos densas, levando as partículas sólidas. É como se a sujeira, ao formar um floco, fosse "guinchada" à superfície.
Técnicos do Instituto de Pesca da Secretaria Estadual da Agricultura, sob coordenação do pesquisador João Scorvo, vêm observando o comportamento dos peixes nas condições de criação com o uso de água proveniente de estação de flotação do Pomar. Entre os aspectos sob avaliação estão o ganho de peso e o crescimento dos peixes.
No final do período experimental, que vai até fevereiro de 2003, será avaliada a qualidade da carne e feita a análise da composição corporal dos animais para quem sabe, um dia, liberar a marginal do rio Pinheiros para a pescaria.
O experimento também pretende determinar os resíduos orgânicos do sistema e proporcionar atividades de educação ambiental, enfocando questões relacionadas à qualidade das águas, possibilidade de tratamento e tecnologia de monitoramento.
O tanque está instalado dentro de um galpão, tipo estufa agrícola. Diariamente, pelo menos 3 mil litros de água são renovados nos tanques.
O melhor é que essa água de escoamento pode ser aproveitada para a irrigação das plantas do Pomar. Além das equipes do projeto e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o monitoramento de água e peixes conta com a participação do Departamento de Análises Ambientais da Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), da DT Engenharia, Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae) e Recolast (fabricante dos tanques).
Rio Grande ou Jurubatuba
O rio Pinheiros, conhecido também como Canal do Pinheiros, pela conformação que ganhou após as obras de retificação, no começo do século passado, já foi uma importante via fluvial fazendo a ligação entre os rios Tietê e Grande, chegando quase até o Alto da Serra, constituindo uma alternativa de acesso ao litoral.
A região era um lugar onde há muitas palmeiras jerivás, ou jurubatuba, segundo os indígenas que habitavam a região. Outros estudiosos, entendem que jurubatuba é uma corruptela de “y-areb-yty-baeâ€, que significa “tardo e sujoâ€
Qualquer que seja a explicação, o rio, que depois de receber as águas do rio Guarapiranga desaguava no Tietê, era chamado de Jurubatuba. Era conhecido também como Rio Grande, nos tempos em que corria sinuoso, cheio de curvas, sem os obstáculos das barragens da Pedreira e da Traição, construídas para permitir o bombeamento de suas águas para o Reservatório Billings.
Do outro lado do rio, no atual bairro do Butantã, ficava o sítio Ibitatã, do sertanista Afonso Sardinha. Por volta de 1700, na confluência dos rios Tietê e Pinheiros, Bento Amaral e Silva estabeleceria a fazenda Emboaçava, onde, em fins do século XVI, havia sido construído o forte de Emboaçava para proteger a vila. Em 1875, a ferrovia Sorocabana atravessaria o rio nessas mesmas imediações.
No Ibitatã, ergueu-se uma casa de taipa existente até hoje, batizada nas festas do IV Centenário da Cidade de São Paulo como a “Casa do Bandeiranteâ€. Não se pode afirmar que fosse a casa de um autêntico sertanista, uma vez que as bandeiras já haviam rareado. Era, provavelmente, a típica morada de um pequeno proprietário paulista. O curioso é que hoje em dia, por causa da retificação, o rio Pinheiros passa pela frente da casa, quando originalmente passava pelos fundos.
Fonte: www.ambiente.sp.gov.br/pomar