Na cidade de Toronto, no Canadá, diante de uma esperada multidão de 700 mil jovens, João Paulo II concluiu no dia 28 a XVII Jornada Mundial da Juventude iniciada no passado dia 18. Lema escolhido para esse evento: “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundoâ€! (Mt. 5, 13 e 14). A iniciativa dessas jornadas partiu de João Paulo, numa demonstração de sua solicitude e de seu zelo apostólico pelos jovens frente a uma sociedade em profundas mutações e crises morais e espirituais. Essa iniciativa corresponde ao apelo dos Bispos da América Latina quando, há 23 anos, reunidos em Puebla, no México, fizeram a opção pastoral preferencial pelos jovens. A última jornada Mundial da Juventude deu-se em Roma, ao ano de 2000, durante o Grande Jubileu, com a impressionante participação de 2 milhões de jovens vindos do mundo inteiro.
Na sua Carta Apostólica, “No Início do Novo Milênioâ€, o Papa faz emocionante menção a esse acontecimento, chamando-o de “encontro jubiloso e estimulante dos jovensâ€. Afirma que, num clima de recíproca simpatia e sintonia profunda, ele pôde dialogar com aquela “oceânica multidãoâ€. E fala dessa multidão de jovens alegres mas também pensativos, ávidos de oração, de sentido da vida e de amizade verdadeira. Observa o Pontífice que a “juventude, não obstante possível ambigüidades, sente um anseio profundo daqueles valores autênticos que têm em Cristo a sua plenitudeâ€. O Papa acredita que os jovens, diante do verdadeiro rosto de Cristo, são capazes de acolher a mensagem cristã, mesmo se exigente e marcada por renúncias e pela cruz. E os convida a uma opção radical de fé e de vida, apontando-lhes a missão de serem “sentinelas da manhã†na aurora do terceiro milênio. No encontro de Roma do ano 2000, João Paulo comprometeu-se com os jovens a participar pessoalmente da Jornada Mundial de Toronto.
Octogenário, doente, alquebrado pelo peso dos anos e de sua missão de Pastor de toda Igreja, lá se encontra o papa no Canadá diante de uma “oceânica multidão†de jovens peregrinos do mundo inteiro. O Brasil está representado por mais de 3.000 jovens. E foram comoventes as suas palavras no primeiro encontro com os jovens: “O Papa, que os ama, veio de muito longe a fim de que nós escutemos juntos a palavra de Jesus, que ainda hoje tem o poder de fazer arder o coração de um jovem e motivar toda a sua existência. Eu os convido para que estas jornadas sejam um tempo privilegiado para cada um de vocêsâ€. Lá está um ancião entre os jovens. Um ancião sonhando como um jovem. Sonhando com um mundo melhor, de justiça e paz, de solidariedade e fraternidade, sem ódio, sem egoísmo e nem guerra. sonhando com uma “civilização de amor†e com uma “globalização da solidariedadeâ€, como é seu costume expressar-se.
Em Toronto ele conclamar os jovens a serem “sal da terra e luz do mundoâ€, assim como pediu o Cristo aos seus seguidores. Os jovens são chamados a combater a deterioração dos valores humanos, a dar sabor de vida e esperança à nossa sociedade marcada por tanto pessimismo e desencanto. Pelo dinamismo que lhes é conatural, os jovens são chamados também a ser luz num mundo envolto em trevas de natureza ética, religiosa e espiritual. Revestidos de idealismo humano e cristão, eles podem romper a escuridão da humanidade e anunciar a aurora de um novo dia. Respeitosamente olhemos para esse venerando ancião vestido de branco, misturado com a multidão buliçosa dos jovens cristãos em Toronto. Com os jovens, com o Cristo eternamente jovem, ele nos transmite uma mensagem de otimismo e esperança e convida também os que não são jovens e serem “sal da terra e luz do mundoâ€! (Frei Lourenço M. Papin)