Saúde

Rugas e marcas podem ser atenuadas

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A busca pelo rejuvenescimento é uma das razões mais comuns que levam os pacientes aos consultórios dermatológicos. Eles odeiam as rugas, os vincos na pele, as manchas, linhas de expressão e todos os sinais que denunciam a idade. Se não se pode impedir o envelhecimento, eles querem pelo menos disfarçá-lo.

A técnica do preenchimento é uma das mais utilizadas atualmente para combater rugas e vincos acentuados da pele. De acordo com o dermatologista Ivander Bastazini, o procedimento consiste em injetar uma substância sob a pele, bem abaixo do vinco. Esta substância levanta a pele, atenuando a depressão cutânea - algo parecido com a colocação de silicone nos seios.

“Existem várias substâncias que podem ser usadas no preenchimento. Algumas são temporárias e outras são definitivas”, explica Bastazini.

Os ácidos hialurônicos, por exemplo, são preenchedores temporários. “Trata-se de uma substância quimicamente parecida com outros componentes do corpo humano. Só que ela é estranha ali e o organismo acaba reabsorvendo depois de 10 a 12 meses”, destaca.

Com algumas substâncias, essa reabsorção não acontece e o procedimento é considerado permanente. “Só que os preenchedores não reabsorvíveis oferecem um certo risco. No futuro, o organismo pode não reconhecer essa substância e desenvolver hipersensibilidade (alergia), com reações inflamatórias. E praticamente não é mais possível tirar, porque ela acaba permeando as células”, descreve.

Questionado, Bastazini afirma que a reação não chega a evoluir para problemas mais sérios, como o câncer. “Mas vai dar trabalho por longos anos e exigir tratamento constante. Felizmente, o risco de rejeição é muito pequeno, mas existe”, completa.

Paralisia muscular

Outro “milagre” descoberto pela medicina e que caiu no gosto popular foi a técnica de paralisia muscular para atenuar as marcas de expressão. O procedimento usa a toxina botulínica (chamada botox), que tem origem no botulismo - doença que causa paralisia muscular generalizada e ficou mundialmente conhecida pela contaminação através do palmito.

A toxina é conhecida desde a antigüidade, mas em 1920, um grupo de pesquisadores começou a estudar o efeito paralisante dela no intuito de dominar seu mecanismo de ação para uso terapêutico. Na época, um oftalmologista norte-americano iniciou a aplicação da toxina para tratar o estrabismo humano.

Até que, em 1987, um casal de oftalmologistas percebeu que os pacientes tratados com a substância relatavam atenuação das rugas ao redor dos olhos (pés de galinha). Eles resolveram pesquisar os efeitos da toxina em músculos normais, já com vistas à estética. Eles conseguiram aprovação para usar a toxina em 1989 e, daí, a evolução não parou mais.

Hoje, a dermatologia aplica o produto nos músculos que tracionam a pele e formam as rugas de expressão, como as rugas na testa e as que aparecem ao redor dos olhos quando a pessoa sorri.

A dermatologista Nilma Vidotto de Sousa explica que existem vários músculos no rosto que não têm função de movimentação. São os chamados músculos da mímica facial e só se movem quando a pessoa sorri, fica brava ou preocupada. A toxina é aplicada nestes músculos, de modo que a testa permaneça lisa mesmo quando a pessoa tenta franzi-la.

Os médicos afirmam que o uso da toxina oferece resultados muito bons, mas ressaltam, porém, que é preciso escolher bem o profissional que vai aplicar a técnica, porque um erro pode causar danos à aparência.

“Você pode paralisar um músculo importante. Se a toxina pegar o músculo elevador da pálpebra, por exemplo, a pessoa pode ficar com a pálpebra caída. Se paralisar o músculo que sustenta a posição da boca, a pessoa pode ficar com a boca torta. Então, o erro pode deixar o rosto defeituoso ou artificial”, comenta Bastazini.

O efeito paralisante da toxina desaparece gradualmente em aproximadamente seis meses, quando é necessário repetir o procedimento.

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