Tribuna do Leitor

Saulo e Lula na estrada de Damasco


| Tempo de leitura: 5 min

Saulo, cidadão romano, nascido na cidade de Tarso - capital da Cilícia, província de Roma e centro universitário onde adquiriu a cultura grega e o domínio de várias línguas estrangeiras-, fariseu convicto criado aos pés de Gamaliel – mais importante rabino judaico da época-, membro do Sinédrio –Supremo Tribunal onde se tratava de assuntos do Estado e da religião-, e por quem os cristãos eram perseguidos implacavelmente por serem, segundo seu entendimento, uma verdadeira seita herética, consentiu no apedrejamento de Estevão e muito mais fez a fim de exterminar aquela pobre gente sofrida e dominada pelo Império de Roma.

Certo dia, Saulo, que ainda respirava ameaças de morte e perseguia os discípulos de Jesus, está caminhando pela estrada de Damasco (Síria) com seus comandados a fim de trazer presos daquela cidade os cristão que ali encontrasse. Mas, subitamente, uma luz os rodeou e todos ouviram um som (grego=phõne) mas apenas Saulo ouviu as palavras articuladas: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Neste momento ele conhece a Jesus e mais tarde se encontra na casa de Judas, na Rua Direita, em Damasco. Daquele dia em diante sua vida nunca mais foi a mesma.

Foi vendo a “transformação” pela qual passou Lula que me lembrei deste incrível relato bíblico estudado nos tempos de seminarista. Lula tenta mostrar que mudou, tanto por meio da retórica de marketing –que, diga-se de passagem, tem como guru Duda Mendonça, antes assessor do “filhote da ditadura” Paulo Maluf-, quanto por atitudes não afirmando mais que, se eleito, dará calote na dívida, chorando em comícios e em portas de fábricas, não tocando na palavra “socialismo”, rindo à toa para as câmeras dos jornalistas, fazendo pose de intelectual em ternos bem cortados e barba bem feita etc. O antes grotesco e rancoroso Lula tenta mostrar que já não é mais o metalúrgico cara-fechada que respirava ódio por tudo e por todos e que, se possível fosse, acorrentaria em masmorras fétidas os ricos do país e riscaria os EUA do mapa-mundi. Mas tudo indica que Lula ainda vai continuar tentando por muito tempo abrir o mar vermelho da rejeição do eleitorado com o cajado nem sempre milagroso do marketing político.

Mas, ao contrário de Paulo, cuja obediência a Deus fez com que ele agisse de forma passiva e coerente com sua escolha de mudança radical de vida, Lula, quando jogado na cova dos leões da imprensa e questionado pelo dono da Folha de S. Paulo –jornal nitidamente de esquerda pelo qual o PT sempre foi acariciado-, voltou a ser o “velho” sindicalista da esquerda radical e reacionária de sempre. Levantou-se furioso com o questionamento deixando a entrevista e, por conseqüência, todos os presentes surpresos com a atitude mais parecida com a dos nove leprosos que, depois de serem curados por Cristo, esqueceram de voltar e agradecer a ajuda, do que com a atitude de um candidato a presidente.

Dias depois, em entrevista na TV, disse que apenas tinha passado mal do fígado – boldo nele!-, em razão da comida servida no local e resolveu ir embora (vai saber se o prato principal não foi lula na grelha?).

Lula voltou a ser aquele “visionário” que afirmou ser Cuba uma democracia. Voltou a ser o companheiro que diz ser amigo do povo mas vai passar as férias no balneário de Varadero, em Cuba, ao lado do ditador Fidel Castro, onde o próprio povo cubano não pode entrar, e sim, apenas estrangeiros e seus valorizados dólares americanos. Lula voltou a ser o radical que não sabe sentar à mesa de discussões e propor algo de concreto. O tetra-candidato não conseguiu enganar a todos o tempo todo e, finalmente, tirou sua pele de cordeiro pacificador social-democrata. Sentiu falta dos pepinos da extinta mãe Rússia. Como diz o ditado: “A cantu avis dignoscitur”1

Quanto a Paulo, deixou tudo para trás e seguiu pregando o Evangelho de Cristo. Por tal decisão sofreu perseguição, ameaça de morte, picada de víbora, naufrágios, açoites, prisões etc. Mesmo depois de passar por todos esses males e ainda estar na prisão, o enviado (grego=aposttelõ) declara: “Posso tudo Naquele que me fortalece”. Ou seja, ele se dispõe a passar por tudo outra vez por amor ao Evangelho e não se curva aos perigos e ameaças de perder a própria vida. Ser Cristão no tempo de Nero era crime e Paulo foi decapitado por volta de 67 ou 68 A.D.

Por enquanto, Lula, no desespero de ser presidente, se faz de social-democrata, de menino bonzinho e sorridente que, até mesmo em sua propaganda política, tenta pintar os endemoninhados EUA e sua economia de juros baixos infernal, como exemplos aos líderes latino-americanos predestinados a revolucionar o mundo que, diga-se de passagem, está sob o maligno domínio do “capetalismo”. Quem diria, hein?! Do jeito que vai a missa, daqui a pouco vai negar Marx por três vezes antes de o galo cantar. Por favor, que chamem rapidamente alguém para expulsar o belzebu liberal dessa pobre alma proletária que sofre!

Paulo, após sua conversão, tornou-se outro homem. Parou de perseguir e foi perseguido. Deixou de encarcerar e foi encarcerado por Roma. Já não mais respirava ameaças de morte, mas sim a certeza de vida nova e eterna expressada nos ensinamentos de Jesus Cristo. Paulo nasceu de novo –não por meio da reencarnação, mas em obediência a Cristo-, e agora tinha suas convicções como algo imutável não importando a situação.

Lula e muitos outros fariseus revolucionários da política brasileira, mesmo posando de falsos neófitos de uma proposta política e econômica viável e possível, não conseguem deixar a Sodoma e a Gomorra do atraso intelectual e da contramão da história sem olhar para trás. Pena não se transformarem em estátuas de sal.

E pensar que ainda existe a tal estrada de Damasco...mas ela não passa pelo Brasil. Depois de vender sua ideologia(?) por trinta moedas de prata ao PL, só falta agora o eterno candidato a presidente pelo PT dizer que ouviu uma voz –já fraca e rouca pelos anos-, vinda de dentro do Palácio do Planalto dizendo: “Lula, Lula, por que me persegues?” (André Luis Arruda Plácido - aluno de Jornalismo da Universidade do Sagrado Coração)

Comentários

Comentários