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Camelôs dizem que não saem de ponto

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Nesta segunda-feira, os camelôs cadastrados e autorizados pela Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) deverão começar a se instalar nos pontos definidos pela administração municipal para a realização de seus trabalhos. No entanto, a mudança não deverá ser tão tranqüila como espera a titular da pasta, Maria Helena Rigitano.

Alguns permissionários instalados nos pontos mais movimentados do Centro da cidade e que não obtiveram pontuação suficiente para permanecer no local disseram que não pretendem montar a barraca em outra área. “Eu pretendo chegar segunda-feira de manhã e me instalar no ponto de sempre. Não quero briga, baixaria e nem provocar confusão. Só quero trabalhar como de costume”, diz o trabalhador informal Samuel Teixeira.

Ele possui uma barraca na rua 13 de Maio, entre o Calçadão da Batista de Carvalho e a rua 1.º de Agosto, um dos locais de maior movimento no Centro da cidade. “Eu obtive uma pontuação muito baixa devido a um erro de informação passada pelo representante da categoria. Acabei ficando abaixo do que merecia e terei que me instalar em outro local”, diz.

Teixeira conta que divide a barraca com uma sócia e que precisa da atividade para sobreviver. “Trabalho como informal há cinco anos. Só neste local estou há quase três anos. Não pretendo sair daqui”, salienta.

Outro camelô que declarou permanecer no seu ponto é Fabrício Genaro. Ele não entregou a documentação exigida pela Seplan por não concordar com o processo para a regulamentação da categoria. Dessa maneira, teria de deixar o local onde trabalha, na rua 13 de Maio, e tentar, através da repescagem, conseguir uma outra vaga. No entanto, o camelô diz que vai ficar com a barraca montada no mesmo ponto. “Não quero de maneira nenhuma entrar em atrito com meus companheiros. Mas não pretendo sair do lugar onde estou”, frisa.

Genaro diz que trabalha no ponto há sete anos e que seria difícil recomeçar em outro local. “Esse projeto para regularizar o trabalho dos camelôs visa, na verdade, causar constrangimento para a categoria”, ressalta.

De acordo com ele, os trabalhadores informais são bastante unidos e têm uma relação de amizade uns com os outros. “Ninguém quer tirar o ponto de ninguém. Fica todo o mundo sem jeito de se adaptar ao que a Seplan está querendo”, destaca.

Para o camelô Roberto Carlos Grazieli, que também terá que se retirar do local onde tem a barraca, a mudança não trará boas conseqüências. “Estou acostumado aqui há cinco anos. Vou ter que conquistar nova freguesia na quadra debaixo e recomeçar a vida”, diz.

Seu colega, Joaci Cordeiro Félix, acredita que a mudança vai gerar uma certa confusão na área central segunda-feira de manhã. “As pessoas estão se sentindo prejudicadas e não vão querer sair numa boa de seus pontos”, revela.

Reforço policial

A secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, diz que estará, a partir das 7h de segunda-feira, na praça Rui Barbosa, ajudando a organizar a mudança dos camelôs.

De acordo com ela, quem ainda não foi buscar a sua credencial, poderá fazê-lo na hora, procurando a Base Móvel da Polícia Militar (PM), que estará à disposição na praça Rui Barbosa.

Ela destaca que vai estar a postos para dar todas as orientações aos permissionários, para que a instalação das barracas seja feita de forma tranqüila.

Mas, para evitar problemas, a PM vai acompanhar de perto o trabalho.

A secretária diz esperar que não haja conflitos e que a instalação dos camelôs nos novos pontos se dê de forma pacífica. No entanto, garante que os que insistirem em não se adequar às novas normas, poderão ter as mercadorias apreendidas. “Os camelôs que não têm autorização para ficar instalados em determinados pontos deverão se retirar. Eles poderão montar a barraca em qualquer outro ponto do setor 1”, destaca.

Maria Helena pede ainda a compreensão dos comerciantes, para que tenham paciência nesse período de transição.

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