Uma das grandes ausências sentidas pela população da cidade, principalmente na periferia, é a de creches para as crianças. Atualmente, Bauru dispõe de 40 estabelecimentos desse segmento, mas mesmo assim existe uma demanda de 2 mil crianças na fila de espera.
De acordo com Sandra Scriptore, secretária municipal do Bem-Estar Social, as 40 creches da cidade - 14 municipais e 26 ligadas à entidades sociais - atendem cerca de 4 mil usuários. “Nós recebemos muitos pedidos para a instalação de novas creches, mas não sabemos até que ponto essa demanda corresponde à realidade’, salienta.
Ela explica que muitas mães matriculam seus filhos em dois, três estabelecimentos ao mesmo tempo e que isso gera um certo descontrole no que se refere ao déficit de creches.
Para a secretária, seria necessário realizar um estudo para saber qual a real necessidade da instalação de equipamentos sociais desse porte em cada bairro da cidade. “Nem toda a população de determinado bairro precisa de creche. De repente, o bairro tem apenas um bolsão de miséria, no qual há pessoas mais necessitadas do atendimento, o que não justificaria a instalação de um estabelecimento aliâ€, destaca.
O lavrador José Firmino de Lima Filho, morador do Jardim Nicéia há oito anos, comenta que o bairro é bastante carente nesse sentido. Ele salienta que muitas mulheres que poderiam estar trabalhando para ajudar a aumentar a renda de casa não conseguem emprego por não ter onde deixar o filho. “O ideal seria que marido e mulher trabalhassem fora para ajudar nas despesas da casa. Mas, sem ter onde deixar as crianças, muita gente que mora aqui no bairro acaba não arrumando empregoâ€, salienta.
É o caso da auxiliar de produção Adriana Fátima da Silva. Ela pediu a conta do emprego para ficar cuidando de seus dois filhos, um com 5 e outro, com 2 anos. “Antes eu deixava com uma pessoa que eu conheço, para que ela tomasse conta. Mas, como as crianças eram muito maltratadas, não recebiam alimentação e ficavam na rua o dia todo, eu resolvi abrir mão do emprego para ficar com elasâ€, relata.
Adriana diz que a creche mais próxima do bairro fica no Jardim Europa, do outro lado da rodovia Marechal Rondon. Mesmo assim, ela requisita vaga para seus filhos no estabelecimento há quatro anos e nunca obteve uma resposta. â€œÉ difícil conseguir vaga láâ€, afirma.
Educação
A creches estão deixando de ser administradas pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e passando para a responsabilidade da Secretaria Municipal da Educação. O processo está no período de transição e, dos 14 estabelecimentos que existem na cidade, nove ainda estão com a Sebes.
Solange Reis, diretora do Departamento de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação, explica que desde o começo do ano está sendo realizado um levantamento para descobrir qual a demanda de crianças que necessitam de creche na cidade. “Todo dia 15 de cada mês recebemos uma listagem das creches e escolas mostrando o número de pedidos de matrícula que não foi atendido. Cruzamos os dados para descobrir se essas crianças que estão na lista já estão matriculadas em outras unidades municipais de educação. Assim descobrimos quantas realmente ficaram fora do processoâ€, esclarece.
Ela explica que o atendimento da creche deve ser voltado a crianças de 0 a 3 anos de idade. De 3 a 6 anos, o usuário deve ser matriculado nas escolas de educação infantil, nas quais o atendimento é só em meio período do dia.
Para tentar resolver a questão, já que muitas mães trabalham fora o dia todo e não têm com quem deixar os filhos, a idéia da Secretaria de Educação é criar prédios que possam abrigar não só as escolas de educação infantil, como as creches também. “Temos planos de construir estabelecimentos unificados, para facilitar a vida dos paisâ€, destaca Solange.
O problema é que ainda não existe uma data definida para o início dessas obras e, por enquanto, a Secretaria de Educação está adequando o atendimento das creches que foram encampadas recentemente. “A diferença é que as creches agora deverão contar apenas com profissionais formados na área de pedagogia. A idéia é oferecer educação desde o berçárioâ€, diz a diretora da pasta.
Central
Apesar de ser funcionária de carreira da Sebes, Sandra Scriptore não sabe definir quais os critérios adotados para a distribuição das creches nos bairros. “Tem creche que é bem antiga e eu ainda não estava envolvida diretamente com essa área na época da sua construçãoâ€, diz.
Ela acredita que os bairros foram escolhidos baseados na quantidade de moradores e na situação financeira de seus habitantes. No entanto, há bairros onde a população é formada em sua maioria por adultos e idosos e, mesmo assim, há creches no local. É o caso da Vila Antárctica por exemplo.
Sandra explica que, por ter uma localização mais central, a creche acaba atendendo usuários de diversos bairros de Bauru. “Há mães que não conseguem vaga para os filhos nas creches de seus bairros e deixam o filho próximo de onde trabalhamâ€, frisa a secretária.
Ela reconhece que esse modelo de atendimento não é o ideal, já que a mãe precisa se deslocar de casa até a creche levando o filho junto, muitas vezes na dependência de ônibus circular. No entanto, diz que é uma saída para o problema.
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Bairros que possuem creches municipais:
• Vila Antárctica
• Vila Nova Esperança
• Vila Garcia
• Vila Celina
• Núcleo Gasparini
• Jardim Chapadão
• Núcleo Leão 13
• Jardim Ouro Verde
• Vânia Maria
• Parque Vista Alegre
• Pousada da Esperança
• Núcleo Bauru 22
• Parque Real
• Centro
(Fonte: Secretaria Municipal da Educação)