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Alfabetização precoce gera polêmica

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Alfabetizar aos 6 ou aos 7 anos? A idade ideal para o início da alfabetização de crianças é um assunto que voltou a ser discutido em virtude de um projeto de lei que defende o ingresso no ensino fundamental aos 6 anos, ao invés de 7. Enquanto uns consideram saudável a iniciativa, outros questionam a idéia.

A Comissão de Educação, Cultura e Desporto aprovou a redução da idade - de 7 para 6 anos - para a criança começar a cursar a 1.ª série do ensino fundamental.

O projeto de lei, de iniciativa do Senado Federal, recebeu parecer favorável da deputada Esther Grossi (PT-RS). Ela argumenta que a Lei de Diretrizes e Bases da educação brasileira determina a matrícula a partir dos 7 anos e, facultativamente, a partir dos 6 anos.

Segundo a psicóloga infantil Marly Bighetti Godoy, grande parte das pessoas que apresentam desenvolvimento normal é capaz de ser alfabetizada antes dos 7 anos. Ela destaca, entretanto, que é preciso que a criança tenha maturidade neurológica e afetiva para ter condições de ser alfabetizada. Para isso, é fundamental que ela seja bem nutrida.

â€œÉ como o caminhar: a criança até pode andar antes do período previsto se ela for estimulada, mas não é o natural”, explica. “Existe um período em que as crianças se preparam para a leitura e para a escrita”, acrescenta Marly.

Quando as crianças não estão prontas para a alfabetização, alguns problemas podem surgir, tais como inversão de letras e figuras. â€œÉ porque ela não está madura. Isso não significa que ela tenha problemas”, expõe a psicóloga infantil.

Adaptação

Para o dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, caso a lei seja aprovada, será necessário que as escolas de ensino fundamental sejam adaptadas para receber as crianças de 6 anos.

“Muito do que ele aprendia na pré-escola vai ter que ser incorporado à 1.ª série. É um processo de deixar a criança pronta para aprender, de fazê-la ter domínio de seu corpo para isso”, diz Vieira.

Ele salienta, no entanto, a necessidade da questão ser trabalhada com cuidado, já que exige maturidade da criança. “A escola vai ter que fazer um reolhar para o que ela ensina às crianças de 1.ª série”, enfatiza o dirigente regional de Ensino.

Algumas escolas particulares que já trabalham com a alfabetização de crianças aos 6 anos de idade defendem a idéia e afirmam que os resultados obtidos até então são positivos. É o caso do Colégio Paraíso. A diretora, Izilda Guarneti dos Santos Ducatti, garante que com essa idade já há preparo para a alfabetização.

“Se ela tem maturidade, nada impede que ela seja alfabetizada aos 6 anos. Nós alfabetizamos com 6 anos, na pré-escola. Esse trabalho é feito na 1.ª série na rede pública. Aqui, quando a criança chega na 1.ª série, ela já tem horizontes abertos e está pronta para aprender muitas outras coisas”, ressalta Izilda.

A diretora explica que esse trabalho é desenvolvido a partir de pequenos textos ou músicas que sejam de interesse dos alunos. Além disso, a associação de palavras a desenhos é explorada.

“Hoje em dia, a criança tem acesso a muitas informações pela televisão e computador e está muito esperta e preparada para isso”, insiste.

Pais

Já os pais das crianças nessa faixa etária, divergem em relação à questão. Enquanto uns vêem com tranqüilidade a alfabetização precoce, outros não escondem a preocupação.

“Eu acho que 7 anos é a idade em que eles estão mais preparados para aprender porque estão mais maduros”, observa Gilmara Aparecida Burlani, mãe de um garoto de 7 anos que está na 1.ª série.

Ela acredita que aos 6 anos, o ideal é que a criança esteja na pré-escola. â€œÉ ali que eles praticam a coordenação - que eles não têm ainda para pegar no lápis etc. Não precisa mudar”, julga.

Por outro lado, Nivaldo Aranda, pai de um aluno da pré-escola de 6 anos, acredita que a redução da idade para a alfabetização é saudável.

“Devido aos estímulos que a tecnologia impõe, além dos estímulos visuais, a criança vai despertando para a alfabetização. Isso também acaba sendo brincadeira para ela. É bom aproveitá-los para adiantar a alfabetização”, diz.

A psicóloga Marly Bighetti tranqüiliza os pais preocupados com essa questão. “Se a criança tem coordenação viso-motora, ela aprende muito bem, independente dessas diferenças de período. Todas vão aprender se forem bem alimentadas”, afirma.

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