Finalmente as pessoas descobriram a Ubá e já se tornam fiéis à Feira de Artes e Artesanato realizada todo segundo domingo do mês no Parque Vitória Régia.
Os próprios artistas reconhecem que a comunidade abriu espaço não só ao artesanato, mas aos espetáculos que são apresentados e pouco a pouco devolvem a vida ao cartão postal da cidade que passou muito tempo desabitado.
O artista plástico Percy Coppieters aponta que há quatro edições a feira ganhou nova cara. “As pessoas estão descobrindo a feira. O processo se deu bem devagar, mas a freqüência está aumentando e se pode ver um público mesclado seja na idade ou nas classes sociais. Tem gente que toda feira está aquiâ€, comemora enquanto termina uma tela. Afinal, o espaço também se tornou um grande ateliê de trabalhos diversos. Até a turma da capoeira faz oficinas de berimbau no gramado.
O evento já toma uma proporção que pode aos poucos ganhar todos os finais de semana. Alguns artesãos acreditam que em breve seja viável realizar, no mínimo, edições quinzenais.
Entretanto, a diretora do departamento de Ação Cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Ariane Ribeiro de Barro aponta que isso ainda não é a opinião geral, pois muitos ainda não conseguem produzir o suficiente para duas feiras mensais. Mas ressalta a feira juntou a fome dos artistas com a sede de cultura da população e em breve a feira poderá ser ampliada.
Segundo Ariane, a Prefeitura dará a infra-estrutura necessária para transformar a Ubá numa feira-referência como ocorre no Embu, na grande São Paulo ou em Curitiba, no Paraná.
Muitos artistas também já desenvolvem projetos conjuntos e descobrem novos potenciais. Convidada como artista Fabiana Nega Pereira em meio a suas telas abriu espaço para fazer pequenas peças em madeira que reaproveitam as sobras dos móveis criados pelo marcineiro João Gomes. “Virei artesã e a feira me deu uma clientela diferente que faz encomenda no parque e busca no ateliê ou na próxima feira. Tem também aqueles que ligam e pedem que uma obra seja trazida ao parqueâ€, conta.
Primeira vez
Visitantes que acabaram de chegar se encantaram com a estrutura e variedade dos produtos que vão da tela ao tear, dos cristais à pedra pome, da seda aos retalhos, da madeira de lei às caixinhas de fósforo.
A agente de segurança Brígida Adair Cella e Santos ficou surpresa com o que encontrou no Vitória Régia, mas ficou tão à vontade que até interagiu com um dos integrantes do grupo maranhense Boi de Palha, que se apresentou na cidade anteontem antes de partir para o Festival de Folclore de Olímpia, na região de Barretos.
Outra visitante, a técnica em prótese auditiva Eliana Aguiar Serrano, comentou que a área retomou a vida. “Estou achando ótimo. Agora que o point é a Getúlio Vargas, este lado da cidade estava abandonado. A feira veio resgatar o nosso Central Parkâ€, afirma numa referência ao grande parque público de Nova York, nos Estados Unidos.