Areiópolis - Moradores do Jardim Carina, em Areiópolis, estão descontentes com o tráfego intenso de caminhões nas ruas do bairro. Em razão do pedágio no quilômetro 280 da rodovia Marechal Rondon motoristas têm usado um desvio, que passa pela cidade, para fugir das tarifas. Isso trouxe transtornos aos moradores. Como forma de protesto, eles fecharam a rua usada pelos caminhoneiros e disseram que só vão sossegar quando a prefeitura tomar uma providência.
Eles querem que o acesso à avenida Santa Cruz, usada como desvio, seja proibido aos caminhões. Na opinião, dos moradores essa seria a melhor solução para o caso.
O tráfego intenso e pesado tem colocado em risco a vida dos moradores, principalmente das crianças. Ao lado da avenida, funciona uma escola de ensino fundamental. Todas as tardes, centenas de crianças tomam conta da avenida e disputam espaço com os caminhões.
Joaquim Benedito Lisboa, 41 anos, quase teve um filho de 10 anos atropelado na avenida. Na opinião dele, uma das saídas para resolver o problema com o desvio seria mudar o sentido do trânsito no local e deixá-lo como mão única.
No entanto, a medida seria paliativa, pois o tráfego seria desviado para a rua paralela. Transferindo assim o problema para outros moradores.
Apesar do nome, a avenida Santa Cruz não é exatamente uma avenida, mas uma rua simples.
Poeira
Para agravar ainda mais o desespero dos moradores a rua não é asfaltada. Não bastasse o perigo, em razão do tráfego intenso de caminhões, eles são obrigados a conviver com a poeira. Em uma época seca, como a atual, é normal que os veículos levantem verdadeiras nuvens de poeira, causando assim problemas respiratórios em alguns moradores.
Isaías Januário da Silva, 34 anos, tem uma filha que sofre de bronquite. A casa onde moram fica ao lado da avenida.
Nas paredes, rachaduras denunciam que o tráfego de caminhões pesados no local pode estar prejudicando os imóveis. Aliás, rachadura nas paredes da casa é um mal que atinge praticamente todas as casas que estão na avenida Santa Cruz.
Segundo Cleide Colombo, 22 anos, foi preciso colocar algumas barras de ferro para evitar que as rachaduras comprometessem ainda mais sua casa.
Na opinião de Márcia, mulher de Isaías, “a vida no bairro tornou-se um infernoâ€. Segundo ela, poeira e barulho é uma rotina no dia-a-dia dos moradores. “Nem mesmo à noite a gente tem sossego. Não dá para ficar na calçada conversando com os vizinhos. Os caminhões passam o tempo todo e levanta muita poeiraâ€, reclamou.
Pelas contas de Edvaldo Costa, 36 anos, no mínimo passam diariamente pela avenida cerca de 150 caminhões.
Os moradores fecharam o acesso dos veículos à avenida na sexta-feira passada, por volta das 17h30. A atitude revoltou alguns motoristas que chegaram até a discutir com moradores.
O motorista Jaílton Manoel de Moraes, 54 anos, foi pego de surpresa pelo bloqueio. Ele voltava de São Paulo e estava seguindo para Bastos, onde mora.
Ele contou que usa o desvio pelo menos duas vezes por semana. Em cada uma delas, disse que economiza R$ 14,10, valor cobrado pelo pedágio. O desvio tem cerca de 18 quilômetros de extensão.
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Prefeito de Areiópolis fala em desapropriação
Areiópolis - Para o prefeito Amarildo Garcia Fernandes (PSDB) só existe uma saída para o problema: asfaltar a avenida Santa Cruz, principal rota de desvio.
De acordo com ele, não há como proibir o tráfego de caminhões naquele local. Fernandes contou que já existe uma avenida que dá acesso à cidade, em que o trânsito de caminhões é proibido. E, por isso, estaria impedido, por lei, de bloquear a outra via de acesso ao município para os caminhoneiros.
Portanto, a única alternativa seria asfaltar a avenida Santa Cruz e acabar pelo menos com a poeira.
Enquanto a obra não fica pronta, ele cogitou a possibilidade de enviar caminhões-pipas para molhar a avenida e diminuir o desconforto dos moradores.
O prefeito não estabeleceu um prazo para asfaltar o local. Segundo ele, no momento, a cidade tem outras prioridades. Entre elas, estaria o asfaltamento de outros bairros da cidade.
Fernandes disse que pensou até mesmo em estabelecer um pedágio municipal para os veículos que utilizam o desvio. Mas desistiu da idéia.