Tribuna do Leitor

Sal - substância preciosa


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O sal, por ser um agente conservante, com o tempo adquiriu a conotação de grande estima e de honra em línguas antigas e atuais. O sal (cloreto de sódio) sempre foi considerado uma preciosidade, a ponto de ser o estopim de muitas guerras. Uma das causas da Revolução Francesa foi o alto tributo sobre o sal, imposto por Luís XVI. Também foi usado como meio de troca de alto valor. Mercadores mouros negociavam o sal, trocando um grama por um grama de ouro. Algumas tribos da África Central usavam placas de sal-gema como dinheiro. A palavra portuguesa “salário” deriva-se do latim salarium, nome dado ao pagamento dos soldados romanos, que incluía uma porção de sal. Os gregos compravam escravos e pagavam com sal, e isso deu origem à expressão “não vale o sal (que foi pago por ele)”.

Na Idade Média, surgiram superstições relacionadas com o sal. Derramar sal era considerado mau agouro. Exemplo disso vê-se no afresco “A Última Ceia”, de Leonardo da Vinci, em que ele retratou um saleiro entronado na frente de Judas Iscariotes. Por outro lado, até o século 18, nos banquetes, a distribuição dos convidados era feita segundo a localização do saleiro, que ficava no centro da mesa. Os convidados mais distintos sentavam-se nos lugares entre a posição do saleiro e a cabeceira, onde se sentava o anfitrião.

Há milênios, o homem aprendeu a extrair sal a partir da salmoura, da água do mar e do sal-gema. Um antigo tratado chinês sobre farmacologia menciona mais de 40 tipos de sal. Por incrível que pareça, descreve dois métodos de extração de sal que são bem semelhantes aos usados atualmente. Um deles é pela energia solar, método usado para extrair o sal marinho pela evaporação da água do mar nas maiores salinas solares do mundo, localizadas nas margens da Bahía Sabastián Vizcaíno, em Baja California Sur, México.

Um fato interessante é que se estima que, se os oceanos se secassem, “renderiam no mínimo 19 milhões de quilômetros cúbicos de sal-gema, ou cerca de 14,5 vezes o volume da massa continental européia que fica acima do nível máximo das águas”, segundo a Encyclopedia Britannica. E o mar Morto é cerca de nove vezes mais salgado do que os oceanos!

O sal continua a ser uma preciosidade. Ele é usado para temperar alimentos, conservar carnes e na fabricação de sabão, vidro e outros produtos. Mas um dos usos mais interessantes é no campo da saúde pública. Em muitos países acrescenta-se iodo ao sal para combater a carência de certas regiões. A falta de iodo causa bócio (aumento da glândula tireóide) e, nos casos mais graves, leva ao retardamento. Em alguns países se acrescenta flúor ao sal para prevenir as cáries dentárias.

É um fato que o sal é essencial para a boa saúde. ele regula o volume do sangue e a pressão sangüínea. Mas e a controvérsia sobre a relação entre o consumo de sal e a hipertensão? Os médicos têm por hábito restringir o consumo de sal e de sódio em pacientes hipertensos. Entre 30% e 50% deles são sensíveis ao sal e, nesses casos, a redução de sal nos alimentos tem se mostrado eficaz para baixar a pressão sangüínea. É indiscutível que o sal realça o sabor dos alimentos, assim como Jó indicou ao perguntar: “Comer-se-ão coisas insípidas sem sal?” - Jó 6:6. Obs-Texto condensado da revista "Despertai!", dos Testemunhas de Jeová. (Sérgio Moraes Serra - RG 14-344.982)

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