Bauru voltou a ser um pouco mais Bauru ontem de manhã quando a velha maria-fumaça n.º 278, que serviu a Noroeste do Brasil por mais de quatro décadas a partir de 1920, voltou a funcionar para testes de caldeira. A apresentação da locomotiva completamente restaurada será feita no dia 8 de setembro, às 16h, no Museu Ferroviário Regional de Bauru.
A maria-fumaça, fora de serviço desde a década de 60 - quando foi substituída por uma locomotiva a diesel - está sendo restaurada dentro do projeto “Ferrovia para Todosâ€, que a Secretaria Municipal de Cultura desenvolve em parceria com a Ferrovia Novoeste S/A, I parágrafo temn o apoio da Unesp, Cite, Jornal da Cidade, Rádio Unesp, Rádio Auri-Verde, TV Record, Bauru Painéis, Lwart-Proasfar, Seagro Engenharia e Faidiga Madeiras.
Fabricada nos Estados Unidos em 1919, pela Baldwin Locomotives Works, a maria-fumaça é uma dos maiores tesouros bauruenses da época de ouro das ferrovias, em torno das quais a cidade cresceu e se tornou conhecida no Brasil e no Exterior.
Esta é a terceira vez que a locomotiva a vapor 278, que já foi até uma das “personagens†de um documentário da rede inglesa BBC, na década de 90, é restaurada. Ela passou por um processo semelhante em 1986, para a comemoração dos 80 anos do início da construção da Noroeste do Brasil e de novo em 1992. Nas duas oportunidades a máquina caiu no esquecimento pouco tempo depois de ser consertada.
Turismo
Desta vez, o diretor da Divisão de Museus e Memória da Secretaria Municipal de Cultura e historiador Roberto Milanda Chinalha acredita que a locomotiva não vai ser esquecida. “Ela tem uma importância turística e cultural muito grande para a cidadeâ€, diz.
De acordo com Chinalha, a idéia do projeto “Ferrovia para Todos†é restaurar não só a maria-fumaça mas uma composição inteira de oito carros, com vagões de passageiros, bagagem, restaurante e dormitórios.
“Assim que terminarmos a locomotiva, vamos nos concentrar na restauração de um carro de passageiros e colocá-los nos trilhosâ€, explica. A Secretaria ainda procura empresas que queiram colaborar com o processo de restauração da composição “adotando†um carro. A Unimed já se manifestou e deve ajudar com os custos dos reparos do primeiro vagão.
Quando a composição estiver pronta será exibida de terça-feira à sexta-feira no espaço que a Novoeste já reservou para que o Museu Ferroviário mantenha suas peças de grande porte. No sábado e no domingo partirá para viagens turísticas até Curuçá e nas segundas-feiras, fará parte de um projeto pedagógico no qual estudantes terão a oportunidade de conhecer o que é um trem a vapor, seu funcionamento e manutenção.
Para o historiador, a presença dos estudantes é um dos principais objetivos de todo o projeto de recuperação da composição, já que, além do grande valor histórico para a cidade, a locomotiva e seus vagões serão responsáveis por fazer com que as novas gerações conheçam e entendam melhor um dos elementos-chave da história de Bauru que é a ferrovia.