Bairros

Fábrica Ajax considera a interdição precipitada

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

A direção da Acumuladores Ajax Ltda considerou precipitada a interdição de um trecho do Córrego da Vargem Limpa, feito pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), na quarta-feira. Os diretores da empresa acham que o pânico entre os moradores poderia ser evitado. Eles citam o caso da matança das galinhas que, posteriormente, o responsável reconheceu ter agido precipitadamente.

Das 22 análises de água em poços, minas e no córrego da Vargem Limpa, segundo a empresa, 13 foram realizadas pela Vigilância Sanitária, três pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e seis pela Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) de Jaboticabal e um único ponto foi considerado insatisfatório.

A Vigilância Sanitária Estadual, segundo documentos apresentados pela empresa, coletou 13 amostras de água nas imediações do setor metalúrgico, que foram analisadas no Instituto Adolfo Lutz das quais todas apresentaram índices satisfatórios.

As coletas foram efetuadas em poços, minas, córrego Vargem Limpa, áreas de abrangências do setor metalúrgico, chácara das Acácias, Bighethi, 3M, núcleo Habitacional José Regino, Zoológico de Bauru (seis pontos), poço da rua Américo de Oliva e mina da rua Natal Fornazari

De acordo com a Ajax, a Cetesb coletou e compartilhou com a Unesp/Jaboticabal amostras em minas, poços e no córrego Vargem Limpa, sendo que todas as amostras analisadas pela universidade apresentaram índices satisfatórios, conforme laudos apresentados pela empresa.

O único ponto considerado insatisfatório pela Cetesb, em uma mina de água, foi aprovado na análise da Vigilância Sanitária e também pela universidade de Jaboticabal (Unesp), frisa a empresa.

De acordo com a direção, o artigo 11 do decreto estadual 8468/76 que dispõe sobre o controle da poluição ambiental, o valor máximo permitido para o parâmetro chumbo nas águas do córrego Vargem Limpa (classe 2) é 0,1 mg/L e o valor encontrado foi de 0,02 mg/L. Na mina o valor foi de 0,06 mg/L pela Cetesb e 0,0089 mg/L pela Unesp de Jaboticabal. Já a Vigilância Sanitária não detectou a presença de chumbo.

Precipitadas

A Ajax alega que atitudes precipitadas deveriam ser evitadas, como ocorreram nos casos de matança de galinhas, contaminação ambiental do Zoológico e possibilidade de desocupação das áreas pelos moradores.

A empresa garante que não vai reabrir o setor metalúrgico, mesmo tendo cassado em 23 de março de 2002 a interdição da Cetesb e a liminar do Instituto Ambiental Vidágua, no dia 24 de maio. “O compromisso com a comunidade será mantido. Só voltaremos a operação industrial deste setor, dentro das normas e orientações dos órgãos competentes”, informou a direção.

Assintomáticas

A empresa ressalta que a própria Secretaria da Vigilância Sanitária informou através da Imprensa que todas as crianças examinadas encontram-se sem sintomas. “Até agora nenhuma das crianças que passaram pelos exames e estão com índices maiores que 10 miligramas por decilitro de sangue apresentaram distúrbios físicos ou neurológicos que necessitem de tratamento médico.”

Análise de solo

Segundo a Ajax não existe contaminação nos 48 pontos coletados, amostrados e analisados pela Cetesb em 14 e 15 de maio/2002, conforme já foi divulgado pela DIR-10 no dia 26 de julho deste ano. “Os resultados das análises são inferiores a 35 miligramas de chumbo por quilo de terra, índice que, de acordo com a Cetesb, passa a exigir intervenção.”

Na análise de sedimentos, superficiais de zero a dois centímetros, dos 16 pontos coletados, amostrados e analisados pela Cetesb em 4, 5 e 6 de julho de 2002, somente em dois pontos sinalizaram para índices acima do permitido.

O ponto um é onde havia um desmanche de baterias, rua Naoki Shinohara, 3-52; e o outro é próximo à mina no terreno vazio do lado oposto da rodovia em que se localiza o setor metalúrgico da Ajax. Estudos e investigações, segundo a empresa, apontam que o lugar era utilizado para descarte de resíduo do desmanche clandestino.

Para a empresa, os pontos superficiais são muito suscetíveis de terem qualidade alterada por tintas, adubos, agrotóxicos, resíduos sólidos, lixo e outros produtos.

In Natura

A Ajax diz estranhar que a mesma cautela tomada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente na interdição do Córrego Vargem Limpa, não tenha sido realizada em relação ao Ribeirão Bauru, que recebe “in natura” praticamente todos os esgotos domésticos da cidade.

A empresa alerta que os coliformes totais e fecais podem afetar a saúde da população que utiliza essa água. Os usuários, segundo a Ajax, podem contrair uma série de doenças de veiculação hídrica, como uma amebíase, desinteria basilar e febre tifóide, entre outras.

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Questionamentos

A empresa espera dos órgãos competentes uma respostas sobre a antiga fábrica clandestina de baterias (quadra 14 da avenida Coronel Ivon César Pimentel) e o desmanche clandestino de baterias ( rua Naoki Shinohara, 3-52)

A Ajax frisa que já requereu ao Ministério Público do Meio Ambiente a investigação das ocorrências em tais locais e a apuração dos responsáveis pela causa de contaminação das duas únicas crianças que comprovadamente moravam ao lado da fábrica clandestina e dentro do desmanche.

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Como foi

Na última quarta-feira, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) interditou, o trecho do córrego Vargem Limpa, entre a rodovia Bauru-Jaú e a avenida Rodrigues Alves. A medida teria sido adotada após a constatação de que neste trecho havia concentração de chumbo detectada pela Cetesb.

Com a interdição a população fica proibida de utilizar a água do córrego para consumo, atividades recreativas, domésticas, fins agrícolas, industriais e comerciais.

A interdição foi adotada, segundo a Semma, como forma de prevenção e não está relacionada às medidas que a Direção Regional de Saúde (Dir-10) deve divulgar hoje.

A área interditada não havia sido sinalizada até a tarde de ontem e poucos moradores conheciam o problema.

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