Saúde

Hanseníase: País é segundo em incidência

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Uma das doenças mais antigas de que se tem registro no mundo; responsável pelo apelido de Aleijadinho ao artista barroco brasileiro; citada na Bíblia como sinônimo de impureza e vícios. A hanseníase - antiga lepra - sustenta, ainda no século 21, o título de problema de saúde pública.

Estima-se que ela atinja, atualmente, entre 2,5 milhões e 2,8 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, são quase 78 mil casos registrados no ano 2000, uma média de 5 pacientes para cada 10 mil habitantes. Três vezes mais que o número de portadores do vírus da aids.

Essa incidência é inadmissível, pois o tratamento disponível há aproximadamente 40 anos cura a doença. Os medicamentos são fornecidos gratuitamente para todos os países do mundo. No Brasil, a lei determina que sejam fornecidos em todos os hospitais, núcleos e postos do sistema público de saúde.

Diagnosticada na fase inicial e seguindo-se à risca os seis ou 12 meses de medicação diária, a hanseníase pode ser totalmente eliminada, sem deixar seqüelas. Mas a desinformação faz com que muitos doentes só procurem ajuda quando as lesões já são graves e incapacitantes.

A falta de tratamento pode causar desde perdas motoras até amputações, além de tornar a doença facilmente transmissível.

Autoridades e profissionais de todo o mundo mobilizam-se para difundir ao máximo as informações sobre a doença. Eles querem treinar o maior número possível de profissionais, agentes comunitários e voluntários para identificar o problema logo aos primeiros sinais. A patologia pode acometer qualquer pessoa, em qualquer idade.

A hanseníase foi eliminada em vários países do mundo, mas persiste como endemia em 12 países, incluindo o Brasil. O País é hoje o segundo no ranking de incidência, só perdendo para a Índia. Agora, a Organização Mundial de Saúde (OMS) luta para erradicar a patologia até o ano 2005.

Organizações ligadas ao tema alertam que a meta é difícil de ser alcançada e depende de empenho e participação de todos.

Na semana passada, o Brasil sediou o 16.º Congresso Internacional de Hanseníase, organizado pelo Instituto Lauro de Souza Lima, de Bauru. Cerca de 1,4 mil profissionais ligados à área de saúde de diversos países participaram do evento.

Entre as principais discussões, esteve a meta da OMS de erradicar a doença nos próximos anos. Na opinião de médicos do instituto bauruense, capacitar pessoas para identificar os sinais da doença e desenvolver ações que divulguem a hanseníase para o maior número possível de pessoas são os melhores caminhos para atingir esse objetivo.

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