Regional

Bebedouros também geram polêmica

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Piratininga - Uma obra em estado avançado de extinção. Assim podem ser classificados os bebedouros de animais, que numa época não muito remota, ‘enfeitavam’ as principais vias das pequenas cidades da região. Em razão do grande fluxo de cavalos - um dos meios de transportes mais comuns da população rural de então -, era normal ver os cavaleiros recorrendo a essas peças para saciar a sede dos animais.

Depois de serem quase extintos, os bebedouros ainda resistem em algumas cidades, como Piratininga. Em outras, como Barra Bonita, a prefeitura vem sendo pressionada para trazer de volta essa peça histórica.

Um boato de que a Prefeitura de Piratininga iria desativar o bebedouro da avenida Marcondes Salgado foi o suficiente para que um grupo de moradores armassem um verdadeiro cenário de guerra para combater a idéia.

Na cidade existe um grupo de aproximadamente 50 cavaleiros que se autodenominam ‘Caubóis da Madrugada’. Eles estão sempre participando de encontros e passeios com cavaleiros de outras cidades da região e a falta de um bebedouro na cidade é uma possibilidade que assusta e revolta o grupo.

Entretanto, tudo indica que o fim do bebedouro de Piratininga não passa apenas de um simples boato, para a alegria dos ‘caubóis’, mas principalmente dos cavalos.

De acordo com o prefeito Odail Falqueiro (PFL), o bebedouro da cidade foi temporariamente desativado porque estava apresentando um problema hidráulico.

Assim que o vazamento for consertado, o local voltará a servir de ponto de encontro dos animais. A promessa é do prefeito Odail, que cresceu levando cavalos para beber água na avenida Marcondes Salgado.

Segundo ele, o bebedouro faz parte da história de Piratininga e, por isso, será preservado. O prefeito vai aproveitar a ocasião para reformar o calçamento da avenida.

“Nós vamos restaurar o bebedouro, porque ele faz parte da história da cidade e até mesmo da minha vida. Meu pai era negociante de cavalo e ele sempre levava os animais para beber água lá”, comenta Odail, relembrando passagens da infância.

O local servia também como ponto de encontro de negociantes. Ali, animais eram comprados e vendidos ou simplesmente trocados. Fazia-se qualquer negócio.

Mesmo estando no canteiro central de em uma avenida, o bebedouro não atrapalha o trânsito no local. Segundo o prefeito, apesar do canteiro central ser estreito, a presença dos cavalos não prejudica os motoristas porque o movimento de veículos ali é muito pequeno.

Pelas previsões de Odail, a peça deve estar totalmente restaurada e funcionando já na próxima semana.

Com o passar dos anos, a população da zona rural foi migrando para a cidade e isso afetou diretamente na importância do bebedouro, que foi tornando-se menos útil. Por isso, a manutenção da peça é vista pelo prefeito mais como a preservação de uma relíquia do que qualquer outra coisa.

Um dos poucos que ainda utilizam o bebedouro para oferecer água ao cavalo é o carroceiro Eduir Barros Guimarães, 48 anos.

Desde pequeno aprendeu a arte da negociação de animais e hoje vive basicamente com o dinheiro que recebe pelos fretes que faz na cidade, com o auxílio de uma carroça. Casado e pai de três filhos, Guimarães revela que o dinheiro dos fretes e da negociação de cavalos o ajudou a sustentar a família.

Enquanto o bebedouro não é restaurado, ele utiliza-se de uma bacia improvisada para dar água aos seus animais.

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Obra é defendida por vereador em B. Bonita

Barra Bonita - Enquanto Piratininga luta para preservar o bebedouro, em Barra Bonita o vereador Paulo Roberto Siqueira (PV), o Paul das Girls, quer que a prefeitura reconstrua o que um dia foi destruído.

Recentemente, ele apresentou uma indicação ao prefeito José Carlos de Mello Teixeira (PPS), mais conhecido como Nenê, pedindo um estudo sobre a possibilidade da construção de um bebedouro para animais na cidade.

Em sua justificativa, Siqueira alega que muitas pessoas chegam à cidade usando cavalos como meio de transporte. Por essa razão, ele entende que seria de grande ajuda oferecer um local onde os animais pudessem descansar e ao mesmo tempo saciar a sede.

O prefeito não foi encontrado pela reportagem para comentar a indicação de Siqueira. No entanto, até o momento, nenhuma atitude teria sido tomada pelo prefeito para atender a vontade do vereador.

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