Repetindo o belo cenário de outras primaveras, as quatro roseiras que habitam o nosso jardim doméstico estão, no momento, estuantes de vitalidade, mostrando mais de 100 rosas multicores. Quem não acreditar que vá vê-las pessoalmente. Não cobramos nem um centavo pelo raro espetáculo. Mas não demorem porque não são eternas. A sua eternidade é de apenas alguns dias, eis que o sol que faz nascer a vida pode matá-la com seu calor. O floricultor Waldomiro Rett foi ontem visitar o ipê que, ano passado, plantou em frente à nossa janela, e aproveitou para ir extasiar o olhar diante das nossas formosas rosinhas, ficando tão admirado como os demais transeuntes da Nações. Aproveitamos, então, para inquiri-lo sobre o por quê da generosidade das plantas para conosco e ele explicou, simplesmente, que um certo homem, que jamais conseguira produzir alguma coisa e nem acreditava em Deus, rogara ao Todo Poderoso que lhe desse uma alegria, uma apenas. “Trabalha, planta e cria...â€, foi a curtíssima mas inteligível resposta divina, rimando amorosamente com a expressão “alegria†e que se enquadra inequivocamente no espírito de tantos seres que habitam os planetas e vivem na indigência, porque não trabalham, não plantam e não criam, transitando pela vida sem sentir o sabor de suas melhores coisas. Verdadeiramente, o mundo está repleto deles em suas formas e dimensões, infelizmente, porque de outra forma poderiam ser expoentes, como os demais, das benesses do mundo que aí se encontra. Seria porque desconheçam a objetiva advertência do Mestre, que não deseja inaptos e ineptos à sua volta? É possível que sim, uma vez que não existem aqueles que se dediquem a alguma obra reprodutiva e tenham sido colocados à margem de suas conquistas, por diminutas que sejam, como as flores, tão pequeninas mas belas, cheirosas e medicinais, servindo para encantar os que as divisem sem que lhes exijam nada que seus talentos possam inventar e que suas mãos não consigam proporcionar-lhes. É admirável o segredo que a natureza esconde das pessoas, competindo a estas tão somente um mínimo de trabalho para que os frutos de seus próprios desvelos despontem nas primaveras de cada um. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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