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Bombeiro alerta para estoque doméstico do álcool líquido

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 3 min

A retirada do álcool líquido do mercado gerou nas pessoas uma corrida aos supermercados. Muitas pessoas pensam em estocar o produto para garantir por mais algum tempo a faxina doméstica e a assepsia corporal menos onerosa. Mas o Corpo de Bombeiros adverte que este armazenamento deve ser evitado.

“Apenas um único litro já é mais que suficiente para causar um estrago tamanho”, afirma o tenente Marcos Ricardo Poloniato. Ele explica que o álcool é um líquido volátil e de alta inflamabilidade, podendo, em fração de segundos, queimar muita coisa.

Poloniato cita o exemplo de laboratórios e hospitais que só trabalham com pequenas embalagens do produto para evitar acidentes. O bombeiro aconselha também que o usuário não troque a embalagem plástica por vidro na tentativa de minimizar acidentes. “O vidro quebra e o líquido espalha com uma facilidade ainda maior”.

Em Bauru, segundo o tenente, são raras as ocorrências registradas pelos bombeiros provocadas por acidentes com álcool. Mas ele se recorda de que na época do racionamento de energia uma criança se queimou com um vidro de álcool que ficou esquecido próximo a uma fogueira.

No inverno, pessoas que moram na periferia, principalmente em casas de madeira, têm o hábito de fazer fogarel para se aquecer e há alguns anos incidentes foram registrados. “Hoje, este número diminuiu”, aponta Poloniato.

Alternativas

O infectologista Marcelo Pesce confirma que o álcool é melhor antisséptico, utilizado como padrão no mundo todo. Entretanto, afirma que a fórmula em gel não altera seus efeitos em graduações menores. O médico comenta que um teor alcoólico na casa dos 70% para uso medicamentoso é até mais eficaz. A formulação dos géis são utilizados em hospitais para assepsia das mãos.

Pesce concorda que o custo ainda é elevado em relação ao álcool comum líquido, mas acredita que com a implantação definitiva da medida, outras alternativas serão lançadas.

Já existem em cirúrgicas sachês descartáveis de álcool embebido em gase, bem como diversas embalagens menores de diferentes graduação.

O médico revela que em casos de limpeza de ferimentos, água e sabão bastam. No caso de gripes e dores de garganta, o álcool em gel fará o mesmo efeito aliviante, mas uma pomada com cânfora pode ser a opção mais adequada e poderá ser utilizada também em lesões musculares.

“Mesmo com um custo um pouco mais elevado, acredito que o uso do álcool em gel vai poupar uma série de lesões graves e vidas que valem muito mais”, avalia, comentando que o número de atendimentos de queimaduras provocadas pelo uso inadequado e acidentes provocados por álcool é grande.

A maioria das farmácias ainda não recebeu orientações de como proceder na venda de álcool. Algumas possuem estoque, bem como laboratórios de análises clínicas que usam grande quantidade do produto, outros estabelecimentos já fazem uso de álcool 70%.

Adilson Martins, que trabalha em uma rede local de farmácias, diz que a drogaria vai ser o novo local para quem faz uso do álcool como medicamento adquiri-lo. As novas embalagens, que ainda não chegaram ao mercado, devem ter o tamanho de um frasco de acetona ou soro fisiológico e o valor deverá ser proporcional ao tamanho do frasco.

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