Bairros

Vila Nova Paulista pede passarela

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Ir à escola, atualmente, requer equilíbrio e coragem de crianças e adolescentes da Vila Nova Paulista. Para chegar ao Jardim Jussara, bairro vizinho onde localiza-se a escola mais próxima, eles têm que atravessar o córrego Água do Sobrado sobre um pedaço de madeira improvisado.

Os moradores contam que o problema de acesso ao Jardim Jussara começou quando um caminho de terra que ligava os dois bairros - prolongamento da rua Tomigiro Sugano - foi fechado devido à construção de um condomínio residencial. O projeto engloba parte do caminho utilizado pela população.

Os desavisados agora deparam-se com um muro após caminhar cerca de 300 metros pelo antigo caminho. “Há 63 anos nós usamos essa estradinha e agora largaram a gente num beco sem saída. Foi erro do projeto da Prefeitura. Foi uma injustiça”, salienta Orestes de Souza Viana Sobrinho, morador da Vila Nova Esperança.

O fechamento da rua também desagradou a Iwao Tsuhako, que passava diariamente por ali para chegar à rua Mara Lúcia Vieira. “Ficou péssimo. Fomos reclamar na prefeitura, mas não teve jeito”, conta.

Ele improvisou uma porteira para evitar que os caminhoneiros acostumados a passar pelo local tenham a surpresa desagradável. “Eles entram e depois têm que sair de ré, porque não dá para manobrar”, expõe.

Passarela

Após o fechamento do caminho, restaram duas alternativas aos moradores para chegar ao Jardim Jussara: dar uma grande volta passando pela Quinta da Bela Olinda ou atravessar o córrego Água do Sobrado. O problema agrava-se com a ausência de passarela.

Uma ponte de madeira improvisada foi carregada pelas chuvas do início do ano. Os moradores agora apelaram para pedaços de madeira colocados no córrego e sobre os quais têm de equilibrar-se para chegar ao outro lado.

Alguns utilizam o “atalho” várias vezes ao dia - crianças para ir à escola e donas-de-casa para ir ao mercado. É o caso de Jovina Maria de Barros. “Para quem tem problemas na perna, fica difícil passar”, afirma.

A dona-de-casa Iolanda Barros conta que nos dias de chuva o nível da água do córrego sobe e encobre os pedaços de madeira, impossibilitando a passagem. “Nós precisamos de uma passarela”, reclama.

O catador de latinhas Rui Félix dos Santos prefere pisar com na água suja de esgoto com botas de plástico. “Dá coceira, mas não tem jeito porque pela madeira às vezes as pessoas escorregam. Isso é uma pouca vergonha”, desabafa.

Obras

A titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Maria Helena Rigitano, explica que a antiga rua que fazia a interligação de bairros não era uma via pública oficial, mas um caminho que cortava várias propriedades.

Ela diz que a planta do condomínio foi aprovada pela prefeitura e que existe a intenção de abrir outro caminho semelhante a cerca de 20 metros do anterior, a partir de desapropriação.

O projeto definitivo deve ser elaborado pela Seplan, de acordo com Maria Helena, mas não há previsão. “Precisamos de tempo para o levantamento topográfico”, afirma.

O secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, não foi localizado durante o dia de ontem para falar sobre a possibilidade de construção de uma passarela sobre o córrego Água do Sobrado.

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